terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Síntese da comemoração do 7.º aniversário

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No passado dia 23 de Janeiro de 2011, Os Amigos do Forte comemoraram o seu 7.º aniversário. Apesar do intenso frio e vento que se fizeram sentir, as duas dezenas de “amigos” que marcaram presença na comemoração desta efeméride e aproveitaram para participar no programa por nós delineado não se fizeram rogados, com determinação e entusiasmo venceram as adversidades que o clima resolveu colocar.

Pouco passava das 9 horas e 30 minutos quando no interior do recém-inaugurado Centro Interpretativo para as Linhas de Torres do nosso concelho, localizado no interior do reduto n.º 38 (Forte da Casa), o técnico do museu municipal, Dr. Paulo Silva, deu inicio a uma interessante e pormenorizada alocução sobre a 3.ª Invasão Francesa, os pormenores de edificação das linhas, a vida à época e alguns interessantes episódios e estórias que atravessaram os tempos.

Após assistirmos a uma projecção vídeo que detalha a localização e função dos principais redutos, assim como dá uma panorâmica global das linhas, foi a vez de fazer uma visita acompanhada ao reduto n.º 38. Terminada a visita, daqui se partiu em autocarro para o núcleo da Serra da Aguieira (redutos n.ºs 40, 41 e 42). Percorridos os cerca de 1000m que separam a estrada nacional da elevação onde se encontram os fortes, com um enquadramento idílico, dada extensa e rica paisagem que ali se consegue observar, conseguimos também ter uma nítida noção no terreno da forma como se estendia e organizava a 2.ª linha (começava junto ao Rio Tejo no Forte da Casa e depois se estendia por Bucelas, Montachique até à zona de Mafra), bem como se avistaram alguns redutos da 1.º linha.

Depois de uma palestra rápida, dado o intenso vento, cumprido o percurso de regresso ao autocarro houve ainda tempo para visitar a exposição “A Escola no Estado Novo”, no núcleo museológico de Alverca, terminando a manhã com um almoço comemorativo, no qual tivemos o prazer de contar com os responsáveis dos órgão sociais da nossa associação (Manuel Marina e António Isidoro), e fizeram também questão de se associar a esta iniciativa o Senhor Vereador João de Carvalho e o Coronel José Geraldes.

Agradecemos a todos os associados e cidadãos a presença, assim como à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ao garantir a presença do especialista que nos acompanhou, ficando o compromisso de multiplicar estas primaveras e iniciativas por muitas mais.

Em tempo: prometemos disponilizar nas próximos dias algumas fotografias deste dia.

Microsoft oferece software de "transparência" ao governo


Excelente novidade. Aguardemos pela confirmação no terreno, no entanto não podemos deixar de referir que são boas notícias em prol da transparência e informação ao cidadão.

«Milhares de sites do governo podem disponibilizar dados estatísticos em três semanas.

Sérgio Martinho, responsável pela área de segurança da Microsoft Portugal, e Francesca Di Massimo, responsável europeia pela iniciativa Open Government da Microsoft, estão hoje reunidos "com as elites governativas portuguesas" para apresentar um software que agrega e publica milhares de dados de todos os órgãos públicos gratuitamente.

O objectivo é, num prazo de duas a três semanas, milhares de websites de autarquias, empresas, câmaras municipais, ministérios e outros órgãos públicos, terem toda a informação simples e acessível a qualquer cidadão. "Há dados que são públicos e não estão acessíveis às pessoas. O objectivo é abrir todos esses dados, sem nunca identificar ninguém", sublinha Sérgio Martinho. A plataforma e a estrutura já estão prontas, falta apenas o OK do governo.

O Open Government Data Initiative (OGDI) começou a ser aplicado na maioria dos países da União Europeia no início de Janeiro, com aprovação da Comissão Europeia. "A CE está muito interessada no conceito, porque os estados-membros são agora obrigados, por lei, a publicar a informação", diz ao i Francesca Di Massimo. Aproveitando a crise económica em toda Europa, a Microsoft oferece o software aos governos, com a contrapartida de passarem a "utilizar o sistema cloud computing".

A gigante norte-americana quer garantir a expansão do software (cloud computing) da Microsoft. E caso o governo português siga o ritmo dos restantes executivos europeus, passa a gravar e armazenar dados públicos dos cidadãos na "nuvem" controlada pela Microsoft, através da "plataforma Windows Azure". "Entramos todos num ecossistema", observa Di Massimo, responsável europeia da Microsoft pelo programa OGDI.

A nível de segurança, Sérgio Martinho, garante que "o software comporta nove medidas específicas de segurança", que muito dificilmente podem ser infiltradas.»

Fonte: Jornal i, por Cláudia Garcia, publicado em 27 de Janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Comemoração do 7.º Aniversário e Novo Ano


Simbolicamente o início do ano é de balanço e de projecção de um novo ano de trabalho. Contudo face ao contexto social, económico e financeiro actual, e concretamente no que concerne à vida da nossa associação, estes dois anos (2010 e 2011) representam um pouco mais do que isso, pois são anos fundamentais na sua já assinalável existência (comemora no dia 17 de Janeiro de 2011 o 7.º aniversário) e na história da freguesia do Forte da Casa.

Se o ano 2011 é o da comemoração dessa efemeridade, o ano 2010 será recordado como o da recuperação (ainda que parcial) do reduto n.º 38 – pertencente à 2.ª linha defensiva de torres – que dá nome à vila e lhe confere identidade. Paralelamente, foi o ano da inauguração do único centro interpretativo a instalar em todo concelho sobre este tema e dos poucos existentes no país. Estas inaugurações representam o culminar de um combate que esteve na génese deste movimento e que há partida era dado como perdido, tal era o desinteresse e a relutância que os responsáveis autárquicos lhe atribuíam, e tão fortes eram os interesses contrários à preservação/valorização deste património.

Esta associação tem vindo a fazer o seu caminho, tem evoluído, alargado o seu campo de influência, de tal forma que hoje já não pode apenas ser conhecida como “os amigos dos fortes” (como determinados responsáveis políticos jocosamente a conotavam publicamente). Se é verdade que esse era o seu grande objectivo, a salvaguarda, preservação e promoção do património histórico ligado à 3.ª Invasão Francesa, não é menos verdade que desenvolveu desde o inicio trabalho noutras áreas: caso das preocupações urbanísticas ao nível da 3.ª e 4.ª fase (processo também ele travado); ao nível da mobilidade/transportes (ex: viaduto dos Caniços); e ambientais (ex: ribeira dos Caniços). Esta diversificação intensificou-se nos últimos dois anos.

Este é um trabalho que dá prazer a quem nele está envolvido. Um trabalho difícil, mas que requer continuidade e uma dedicação ainda maior e de mais elementos, daí que até ao fecho do triénio compreendido entre 2010 e 2013, a associação pretenda continuar a crescer em termos de massa crítica e, com base nesse crescimento, alargar ainda mais a sua capacidade de intervenção, o seu peso na defesa dos interesses da comunidade e de promoção da cidadania. Consolidando para tanto a sua própria estrutura e a sua actividade no sentido dos desafios que a maturidade lhe coloca, num ambiente externo turbulento e de crise que o país atravessa e atravessará no futuro próximo.

Após a fundação do blogue da associação no ano 2008, que até há data tem tipo um duplo papel, o de fórum de discussão, troca aberta de ideias e, por outro lado, de divulgação da actividade da associação e dos acontecimentos centrais que assolam a comunidade (papel normalmente reservado a um sítio electrónico), estão agora reunidas as condições para concretizar um projecto fundamental para o cumprimento da sua missão, concretização dos seus objectivos e projecção futura: será colocado on-line o sítio electrónico da associação (http://amigosdoforte.org/) no dia em que se comemora o seu 7.º aniversário.

Desejamos, apesar das dificuldades que nos reserva o ano corrente, que Os Amigos do Forte contribuam para a transformação das ameaças em oportunidades, e que as forças sejam capazes de nos mover activamente e de converter as fraquezas em energia positiva. Nesta matéria, a cidadania e a actividade cívica em especial têm quanto a nós um papel fundamental numa resposta que se quer determinada e conjunta às adversidades (agora acrescidas e de consequências ainda desconhecidas).

Daquilo que depender de nós, estaremos dentro de um ano noutro contexto e a trabalhar com base noutros horizontes, melhores do que aqueles que por ora se vislumbram.

domingo, 16 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Itália proíbe sacos de plástico para compras a partir de 1 de Janeiro


«Os sacos de plástico serão banidos das lojas e supermercados italianos a partir de 1 de Janeiro, uma medida pioneira num país que consome um quarto dos cem mil milhões de sacos gastos anualmente na Europa.

Cada italiano usa anualmente mais de 330 sacos de plástico, a maioria importados de países asiáticos como a China, Tailândia e Malásia. Este número já valeu à Itália um dos lugares cimeiros na lista europeia dos maiores consumidores de sacos de plástico. De acordo com os ambientalistas, são necessários pelo menos 200 anos até um saco de plástico se decompor.

Mas a partir de 1 de Janeiro, esta dependência passa a ser mais sustentável, com a aposta nos sacos biodegradáveis ou em papel, através de uma campanha de sensibilização promovida pelo Governo e empresas de distribuição. A medida foi confirmada pelo Conselho de Ministros italiano.

“Esta é uma grande inovação que marca um passo em frente fundamental na luta contra a poluição e que nos torna mais responsáveis em matéria de reciclagem”, comentou a ministra do Ambiente Stefania Prestigiacomo, citada pela agência AFP.


As organizações de defesa do Ambiente, que na verdade esperavam um adiamento da aplicação da proibição, saudaram a decisão governamental. A indústria dos plásticos ainda exerceu pressão junto das autoridades para adiar a entrada em vigor da nova regulamentação.

Outros países europeus experimentam soluções para reduzir o uso de sacos de plástico. A 15 de Dezembro, o Parlamento português aprovou um projecto de lei do PSD que estabelece uma redução de 90 por cento no fornecimento de sacos nos supermercados até 2016, e um outro do PS para aplicar um "sistema de desconto mínimo" no valor de pelo menos cinco cêntimos por cada cinco euros de compras a quem prescinda totalmente dos sacos de plástico fornecidos gratuitamente pela superfície comercial. Foi rejeitado um projecto de resolução do BE para interdição em 2015 do uso de sacos de plástico nas "grandes superfícies comerciais", excluindo os biodegradáveis.»


Fonte: 30.12.2010 PÚBLICO - Ecoesfera

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS!!


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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Munícipe de Vialonga apresenta plano de ordenamento de trânsito para a freguesia

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Notíciava o jornal O Mirante na sua edição online de 04 de Novembro de 2010, que um reformado, o cidadão João Bigode, «deitou mãos à obra e criou um plano de ordenamento de trânsito para Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira. Um dos objectivos do documento é aliviar a carga automóvel na principal estrada que atravessa a freguesia. Acrescenta que apresentou a ideia à câmara municipal, que por sua vez achou o projecto tão interessante que está analisá-lo.»
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Antes de reproduzirmos a reportagem publicada, cabe saudar a iniciativa deste concidadão. São contributos como estes, espontâneos e deslocados da mera iniciativa político-partidária que vem provar que os cidadãos, por si só, também têm vontade e capacidade de assumir as suas responsabilidades e outrossim darem o seu contributo com base na experiência profissional, de vida e da vivência do dia-a-dia nas comunidades em que se inserem.
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Este é um precioso recurso/contributo que, ainda mais em tempos de crise, deve ser aproveitado. A administração local não pode continuar de costas voltadas para os cidadãos, maquiando a participação cívica com pseudo-consultas públicas, pseudo-envolvimentos, deve antes governar para e com estes, pois só assim pode resolver de forma adequada (e eficiente) os desafios que se lhe colocam, pagando, por vezes, quantias astronómicas a empresas e consultoras para fazer algo que um cidadão pode fazer sem custos, com motivação e sabedoria.
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Será difícil que todo o cidadão seja capaz, como João Bigode, de apresentar soluções claras e tecnicamente fundamentadas e em tempo, mas alguns estarão disponíveis e à altura de o fazer individualmente ou em grupo. Mesmo os pequenos contributos e mera auscultação tem de ser uma ferramenta à qual os organismos locais têm de recorrer.
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Esperemos que após o entusiasmo inicial, com impacto mediático adequado ao momento, a Câmara de Vila Franca de Xira e demais entidades locais envolvidas se debrucem verdadeiramente sobre este trabalho e que façam dele contributo, ferramenta e, quem sabe, solução de um problema.
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Esperemos que não tenha este plano o mesmo destino que teve uma proposta d' Os Amigos do Forte, de criação de uma rede de circuitos pedonais e cicláveis, em Junho de 2009, que não passou do entusiasmo das reuniões públicas de câmara e freguesia, e que viu com o tempo cair por terra a intenção de reunir e trabalhar sobre o documento apresentado.
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Reprodução da reportagem:

«Limitar a circulação automóvel a um único sentido nas ruas Primeiro de Maio, Egas Moniz e Coronel Lobo da Costa, em Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira, criar melhores acessos às vizinhas freguesias do Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria e pugnar pela construção do nó dos Caniços que servirá de ligação à Auto-Estrada do Norte (A1) são alguns dos objectivos do plano de ordenamento de trânsito de Vialonga.

O documento está a ser analisado na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e tem a particularidade de não ter sido criado por um engenheiro ou doutor. João Bigode, 62 anos, reformado, desenhador da Mague durante 30 anos, passou recentemente para o papel uma ideia que lhe ocupava a mente há quase cinco anos: sugerir uma alternativa de trânsito que alivie o tráfego automóvel no centro de Vialonga e facilite a sua ligação com as freguesias vizinhas.

Garante que não o fez por publicidade ou dinheiro, mas apenas por querer ver a freguesia onde nasceu livre da poluição automóvel. “Eu deparo-me com imenso tráfego no interior da vila e sobretudo nas horas de ponta vive-se um pandemónio”, conta a O MIRANTE. A sua solução, refere, servirá mais de 70 mil pessoas das freguesias de Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria e Vialonga.

“Com o nó dos Caniços conseguiríamos que muitos condutores destas três freguesias não tivessem de se deslocar ao nó de Alverca para sair da auto-estrada, por exemplo. Todos ficariam a ganhar”, refere.

Além da restrição da principal via de atravessamento de Vialonga a um único sentido João Bigode defende ainda um alargamento de algumas rotundas e artérias, bem como uma variante à localidade de Alpriate. A existência de passadeiras em relevo nas vias interiores e a renovação da sinalética existente na freguesia são outras das sugestões do munícipe.

Passar o projecto da mente para o papel foi rápido, demorou pouco mais de dois meses. “Foi só cartografar, assinalar os locais e explicá-los. Isto que estou a fazer é apenas a exercer a minha cidadania. Lembrei-me de contribuir, apenas isso, e como sou um munícipe que não estou agarrado a nenhuma força política estou à vontade para dizer bem do que está bem e mal do que está mal”, confessa.

O reformado ficou surpreendido quando a 25 de Agosto a vereação da câmara municipal lhe teceu alguns elogios quando apresentou o projecto numa reunião de câmara. “Também já falei com o presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria (Jorge Ribeiro) e do Forte da Casa (António José Inácio), que me disseram que temos aqui óptimas soluções, que é um bom projecto, mas estas coisas têm de ser bem analisadas”, adianta. Em estudo João Bigode já tem uma “segunda fase” do seu plano, que envolve uma variante a norte de Vialonga

Economia Verde

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O Observatório do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) 2007-2013 e o jornal Oje, publicaram a quarta edição do suplemento QREN OJE que aborda a temática da Economia Verde.
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Segundo estes, «a Economia Verde, enquanto modelo de desenvolvimento económico assente na sustentabilidade, assume particular relevo no actual contexto, sobretudo nos países desenvolvidos, onde se procuram encontrar novas formas de crescimento (e.g. é um dos pilares da Estratégia 2020 da UE) e tem marcado as discussões nas mais relevantes organizações internacionais, da OCDE à Organização de Países da Ásia e do Pacífico».
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Carrega aqui para aceder e ler mais uma edição deste suplemento, que inclui participações de especialistas, entrevistas a entidades envolvidas no QREN e a apresentação de alguns casos de sucesso de várias empresas de todo o país. Para ler edições anteriores aceda aqui.
Um conceito e tema a acompanhar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

"Prós e Contras" (RTP1) Debate Cidadania

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Amanhã, Segunda-feira (dia 6 Dez.), o programa "Prós e Contras" da RTP1, dirigido por Fátima Campos Ferreira, irá discutir um tema que nos diz muito: a cidadania.

O debate terá como pano de fundo os tempos de crise e, entre medidas de austeridade, o designado maior programa de debate da televisão portuguesa dará voz aos portugueses. Isto é, procurará ouvir a sociedade civil, as suas visões e propostas do cidadão comum.

Diz o ditado "que mais vale tarde do que nunca", no entanto, cumpre frisar que este debate, que irá ocorrer numa televisão que é pública, vem um pouco tarde. Após anos a fio a ouvir, dar voz e minutos àqueles que nos governam, só agora o Prós e Contras vem convidar a outra face do sistema, o destinatário das políticas públicas (que são também parte activa na sua definição), isto é, só agora o cidadão é convidado a manifestar a sua opinião e entendimentos sobre a gestão da coisa pública.

Este envolvimento nos assuntos da comunidade não deve apenas surgir em tempo de crise, deve ser uma prática corrente, constante e profundamente enraizada no seio da classe política e da sociedade civil.

Um debate, apesar de tudo, a acompanhar.

"Os Automóveis são os Donos das Cidades"

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No passado dia 24 de Outubro, o jornal Público, publicou na sua edição online uma interessante entrevista ao especialista espanhol em ecologia urbana, Francisco Cárdenas (clique aqui para aceder) na qual é feito um diagnóstico alarmante sobre a pressão que a excessiva dependência do autómovel o espaço público.

Para termos uma ideia desse avanço e da batalha que temos de travar, o referido especialista afirmou que «nas cidades actuais os automóveis privados já ocupam cerca de 70 por cento do espaço público. Um dia, isto será insustentável. Em Espanha, há cidades que já mudaram radicalmente. Portugal está a tentar».

Acrescentou que «agora, nas cidades, há peões ou condutores: não há cidadãos. Após enunciar alguns modelos de sucesso, como o da cidade de Barcelona, os passos dados nos últimos anos em Portugal e aquilo que há a fazer, quando o jornalista lhe perguntou que parte cabe ao cidadão neste processo, respondeu: «cabe a parte de reivindicar a cidade para si, de reivindicar o direito de sair à rua sem medo de ser atropelado, de poder caminhar numa cidade com qualidade de ar, sem ruído excessivo. É preciso consciencializarem-se de que não podem circular por todo o lado e ainda ter tudo».

Lutemos por um espaço que é nosso e façamos recuar o avanço dos automóveis, reconquistando espaço para as pessoas, construindo assim uma cidade ecologicamente sustentada, civilizada e humana.