terça-feira, 17 de janeiro de 2012
A propósito do 8.º aniversário d'Os Amigos do Forte
Ao assinalarmos o 8º aniversário da nossa associação, vivemos um tempo particularmente difícil em que o país se encontra, fruto da intervenção de organizações externas que muito condicionam a situação política, económica e social.
Não é objecto desta nota fazer qualquer reflexão sobre as causas ou razões por que tal acontece, mas tão somente referir o contexto social em que ocorre esta comemoração. Contudo, em todos os sectores em que os nossos concidadãos se movimentam, os reflexos desta situação fazem-se sentir.
Daí que o exercício da cidadania seja um factor de primordial importância, o olhar atento ao que o poder político central e local decide e aplica. Os órgãos eleitos são devedores constantes de prestação de contas do que fazem e porque o fazem.
A democracia implica que os cidadãos sejam parte activa das decisões que se tomam em seu nome e não meros espectadores de procedimentos ao arrepio do seu conhecimento.
Conhecer, informar, estudar e reflectir são entre outros conceitos alguns dos quais em grande medida fazem parte do património da actuação cívica da nossa associação.
A promoção do exercício dos direitos e deveres de cidadania são a pedra basilar da nossa intervenção, a par da nossa independência face aos diversos poderes instituídos. Ao longo destes oito anos, com maior ou menor dificuldade temos procurado ser uma voz que procura debater, questionar e intervir acerca do património, do ordenamento territorial e do ambiente, no espaço territorial do concelho de Vila Franca de Xira e em particular na vila do Forte da Casa.
O caminho que temos vindo a trilhar, só pode ter uma direcção que é o de prosseguir firmemente a afirmação de que a intervenção do cidadão na coisa pública é o mote para uma sociedade social, económica e politicamente mais sustentável.
Exorto por isso todos os associados e amigos a participar na comemoração do nosso aniversário no próximo dia 21 de Janeiro de 2012, pelas 16.00h, no Centro Interpretativo das Linhas de Torres do Forte da Casa.
O Presidente da Direcção
Eduardo Vicente
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Aniversários
A busca da poupança, da eficiência e inovação: a experiência inglesa contada ao Público
Notícia do Jornal Público avança que "ingleses dão receita para futuro das cidades: poupança, eficiência e inovação" (16.01.2012 - 16:45, Por Carlos Filipe, Público online).
«Autarcas ingleses, do partido conservador, governam o município de Basildon com uma agenda de mudança. Andam a poupar no orçamento e vieram a Lisboa com vontade de trocar experiências e tentar alguns negócios "inteligentes e inovadores". Foram convidados pela embaixadora do Reino Unido em Portugal, Jill Gallard, e encontraram-se com homólogos portugueses e com o secretário de Estado da Administração Local. Em Évora dizem ter visto um projecto inteligente e interessante (InovCity) relacionado com a eficiência energétrica nas habitações. Em Lisboa falaram com António Costa e deixaram Macário Correia algo desiludido.
Tony Ball é o líder do município. "O nosso programa de transformação assenta na procura de mais eficiência na administração local, mais competência e poupança. Em suma, fazer mais por menos, até com a alteração da periodicidade do corte da relva nas cidades. Mas queremos ir mais longe, trabalhar com as comunidades e empresas, e com isso criar emprego. Julgo que em Portugal se faz o mesmo, na medida em que o dinheiro com origem no Governo vai sendo reduzido, como em Inglaterra. Teremos que liderar, mas dando a mão à comunidade e procurando novas oportunidades de crescimento."
Sede de distrito do condado de Essex, Basildon tem pouco mais de 170 mil habitantes, um terço dos quais com emprego no corredor industrial que conduz a Londres, de que dista 40 quilómetros. É um concelho jovem, onde foi fundada a banda Depeche Mode, e desenvolveu-se a partir do final da II Grande Guerra para acolher os desalojados dos bombardeamentos aéreos alemães.
O plano local é de combate à curva descendente da economia e centra-se na transformação dos modos de viver e de fazer, contra a recessão, a pensar no regresso à prosperidade. Os autarcas da cidade dizem que estão a ser bem sucedidos.
"Basildon é o maior empregador a Leste de Londres e estamos determinados a garantir o emprego. Há vários anos que mantemos relações estreitas com várias grandes empresas, seja a Ford, a Selex [electrónica], ou a Fiat, garantindo que algumas pessoas trabalhem a partir de casa, ou melhorando competências de outras. Mas a situação económica obrigou a que melhorássemos estas medidas", defende Tony Ball.
E é aqui que entram as poupanças. "O concelho tem poucas receitas. Provêm das dotações do orçamento da administração central, dos impostos locais, ou taxas municipais. Em Inglaterra, o Governo reduziu em 25% os fundos para a administração local, e nós não queremos fazer repercutir essa redução na população através do aumento de impostos ou taxas, pois isso prejudicaria famílias e negócios. Temos que fazer com que as pessoas guardem o dinheiro no bolso e o gastem localmente."
Um dos objectivos consiste em reduzir o pessoal do município, que actualmente absorve cerca de 80% por cento do orçamento. Para isso, insiste, a ideia é trabalhar de forma diferente. "Conseguimos no ano passado baixar os impostos aos nossos residentes", salienta o presidente do concelho municipal, que reconhece a necessidade de observar outras experiências, como a da rede inteligente de controlo de consumos energéticos que viu agora em Évora.
A pressão resulta
"Há seis anos tínhamos uma taxa de 22% de resíduos para reciclar, agora vamos em 50% e em alguns locais já conseguimos 60%. Antes, pagávamos a privados para nos tratarem os resíduos, agora são eles que nos pagam pelos produtos que vão reciclar, o que nos permite um encaixe de 1,5 milhões de libras [1,8 milhões de euros]", exemplifica Bala Mahendran, director executivo do município e responsável pelo programa de transformação.
Mas encontrar investimento é melhor do que poupar, sustenta Bala Mahendran. "No concelho discutimos como estava velha a nossa piscina de 50 metros, que teria que ser encerrada e demolida. Decidimos investir e construir uma vila desportiva, pois estamos apenas a meia hora da Aldeia Olímpica de Londres. Investimos 38 milhões de libras [45,6 milhões de euros] na nova piscina, que vai abrir a 28 de Abril. Será uma infra-estrutura de treino para os Jogos e nela vai estagiar e treinar a selecção japonesa, com possibilidade de poder atrair outras equipas."
Bala Mahendran vê o futuro negro, mas encontra nele oportunidades. "Queremos apoiar a economia local. Queremos prosperidade para as comunidades, que haja emprego e as pessoas possam simultaneamente viver, trabalhar e ter tempo para o lazer. Mas temos que oferecer serviços de qualidade, antecipando a mudança de ferramentas que será necessária. O futuro vai necessitar de mais reduções de despesas. Somos razoavelmente bem sucedidos porque sabemos o que queremos e exercemos liderança, temos um programa e encorajamos o pessoal a ser parte da solução.»
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Governança
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Reforma da Administração Local - Autarquias poderão vir a escolher freguesias a agregar
Segundo noticia o jornal Diário Económico na sua edição online, o Governo prepara-se para proceder a mais uma revisão de fundo à forma como Reforma da Administração Local se irá processar.
Depois de ter revisto os critérios de agregação, desta feita para lá revisão desses critérios, ao que parece o Governo prepara-se para anunciar que a decisão final das freguesias a agregar passará para a alçada das autarquias.
Em que termos e moldes se processará esta decisão não sabemos, contudo a confirmar-se esta orientação representa mais um recuo do Governo na forma como pretende concretizar esta alteração à forma como a administração local se encontra organizada (sobre esta componente, da decisão passar para a órbita das autarquias sugerimos a leitura da seguinte notícia: http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=123494).
Reproduzimos aqui a notícia do Diário Económico, de 09 de Janeiro:
«Nos próximos dias entrará na Assembleia da República a proposta que levará a anunciada reforma administrativa do poder local para o terreno. O documento, ainda a ser ultimado, passará para as autarquias a responsabilidade da escolha de quais as freguesias a agregar e ainda incluirá critérios distintos para freguesias urbanas, rurais, interiores ou litorais. Mas há uma regra transversal: freguesias com menos de 150 habitantes estão condenadas. "Não deixando de prosseguir as metas de redução, cada autarquia poderá avaliar as suas freguesias", confirma ao Económico Paulo Júlio, secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa. Mas os representantes das autarquias apresentam uma lista de exigências.»
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Reforma Administração Local
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Breve comentário à última assembleia de freguesia
Num comentário breve sobre a última assembleia de freguesia do Forte da Casa, realizada no dia 17 de Dezembro de 2011, cuja finalidade principal foi a de debater e votar o Orçamento da Junta de Freguesia para 2012, em que para além daquele e da habitual votação da acta de assembleia anterior, ocorre o tempo dedicado ás questões colocadas pelos diversos partidos ao executivo da Junta, bem como a apresentação de moções.
No período relativo à apresentação de moções, não deixa de ser curioso que a bancada do PSD/CDS (Novo Rumo) a propósito de uma moção por si apresentada sobre o Centro Interpretativo do Forte da Casa, tenha sido feita referência à existência de um alegado protocolo entre a nossa Associação e a Junta de Freguesia do Forte da Casa. O facto é que a respectiva bancada ou anda mal informada ou não cuidou de confirmar a autenticidade da informação.
Naturalmente que no período reservado à intervenção do público, foi devidamente esclarecido que não existe qualquer protocolo entre Junta e Associação. A reunião havida com a Junta destinou-se a assegurar apoio logístico para a realização do debate que realizamos no Centro Interpretativo sobre a proposta do governo da república acerca da Reforma da Administração Local. Outras iniciativas que levemos a efeito no Centro Interpretativo, serão precedidas naturalmente de contactos com a Junta com vista à disponibilização do espaço.
Neste particular, enquanto estrutura cívica que se tem empenhado pela divulgação das questões ligadas às Linhas de Torres, não deixaremos dentro das nossas possibilidades de dinamizar o Centro com iniciativas que o promovam junto dos nossos concidadãos.
Aguardamos que outras estruturas potenciem aquele espaço.
Quanto a esta questão, o que há por parte dos cidadãos a cuidar é se o protocolo, esse sim existente entre a Junta do Forte da Casa e a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, qual o conteúdo, de que forma está a ser cumprido por um lado e por outro se o mesmo disponibiliza os meios necessários para uma gestão adequada daquele espaço.
Feito o comentário sobre este aspecto em concreto e para não alongar demasiado esta nota, não é feita referência a outras questões que também foram abordadas na Assembleia, para que com preocupação se constate que os diversos partidos com assento na Assembleia não se tenham entre outros aspectos pronunciado sobre o seguinte:
- Porque não foi ainda implementado o protocolo assinado entre a Junta e a Câmara sobre a mobilidade no interior da vila com vista à eliminação das barreias físicas, que dificulta a circulação dos nossos concidadãos pelos passeios;
- O estacionamento de viaturas nos locais destinados a peões é uma constante na vila, sem que se proceda a uma acção continuada de providenciar e organizar locais de estacionamento que venham a colmatar o crescente aumento de viaturas;
- A limpeza da vila é algo que em diversos pontos fica muito aquém do que seria desejável;
- O recinto do mercado onde se realiza a feira de levante encontra-se num estado deplorável, sem que até à data se tenha avançado na resolução deste problema;
- Sob o ponto de vista cultural, a ausência de qualquer programação por parte da junta é confrangedora.
Para finalizar, no fundamental o que se pode depreender desta sessão e face aos cortes orçamentais verificados por via da austeridade que se vai impondo ao país, os diversos partidos ali representados para além da moção apresentada, votada e aprovada sobre a Reforma da Administração Local, primam pela ausência de propostas que visem dinamizar culturalmente a vila do Forte da Casa, tendo em conta o potencial em termos turísticos que pode representar a existência do Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Forte da Casa, Dezembro de 2011
Eduardo Vicente
Presidente da Direcção
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Forte da Casa
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Instrumentos financeiros previsionais das autarquias aprovados
Instrumentos financeiros previsionais para o ano 2012 (orçamento, grandes opções do plano, plano de actividades e plano de investimentos) do município de Vila Franca de Xira e da junta de freguesia do Forte da Casa já se encontram aprovados e disponíveis nos respectivos sites para consulta de todos os interessados.
Aqui ficam as ligações:
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Forte da Casa,
Vila Franca de Xira (concelho)
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Auditoria à dívida pública portuguesa: factura detalhada
Saudando o impulso cívico e a preocupação, que a ser genuína e se vier a contibutar para o esclarecimento daqueles que pagam e pagarão no futuro as dívidas, podemos apelidar de positiva.
De facto é fácil apontar culpados, sem fundamentos e estudos concretos de suporte. Existe aliás a tendência para concentrar responsabilidades no último Governo pelo estado em que o país se encontra e assim sucessiva e repetidamente. Estamos certos que caíndo o presente Governo, logo se centrariam a esmagadora maioria das responsabilidades neste executivo, esquecendo os erros do passado, construídos essencialmente no pós-revolução e adesão à comunidade europeia por diferentes actores.
É interessante emergir agora na órbita dos partidos do Governo, de forma no mínimo atabalhoada e alterando a ordem lógica racional de um processo de auditoria global, sério e responsável, a vontade de culpabilizar e criminalizar responsáveis.
Se é verdade que esse poderá ser um dos objectivos últimos, não será certamente o principal. Mais do que encontrar culpados ou bodes expiatórios, com o recurso de organismos e equipas técnicas independentes é preciso primeiro averiguar a fundo o que sucedeu, quais os erros, as omissões e eventuais crimes, ou seja, aferir da boa administração, má administração e má administração com dolo!
Se é verdade que esse poderá ser um dos objectivos últimos, não será certamente o principal. Mais do que encontrar culpados ou bodes expiatórios, com o recurso de organismos e equipas técnicas independentes é preciso primeiro averiguar a fundo o que sucedeu, quais os erros, as omissões e eventuais crimes, ou seja, aferir da boa administração, má administração e má administração com dolo!
Sabemos da dificuldade (ou melhor da falta de vontade) que existe em Portugal teremos um processo deste tipo, limpo, certeiro, concreto, directo ao assunto, transparente e esclarecedor. Sabemos também que os normativos não dão resposta adequada à avaliação daquilo que é a boa e má administração.
Uma coisa é certa, o cidadão-contribuinte tem direito a ter acesso à factura detalhada. Tem direito a saber como chegamos aqui? Porquê? Em que condições? Quais os responsáveis? O que fica, só dívidas? O que se fez de positivo e de negativo? Quais os custos e beneficios?
«Grupo de cidadãos lança movimento para auditar dívida pública portuguesa.
As cerca de 600 pessoas reunidas no sábado pretendem saber quem são os principais responsáveis da dívina nacional
Um grupo de cidadãos independentes e de pessoas ligadas ao Partido Socialista, Partido Comunista Português e Bloco de Esquerda querem promover uma auditoria à dívida pública portuguesa. Os princípios orientadores desta acção foram definidos no sábado, num encontro inédito que reuniu mais de 600 pessoas em Lisboa. Entre os elementos eleitos para a direcção desta iniciativa estão nomes como Octávio Teixeira, Manuel Carvalho da Silva, José Castro Caldas, José Paupério Fernandes, Boaventura Sousa Santos, Nuno Teotónio Pereira, Ana Benavente e Adelino Gomes, numa lista de 44 pessoas.
Na base deste movimento cívico estão as várias questões sobre as razões que levaram ao endividamento de Portugal e que acabaram por originar um pedido de auxílio ao Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia. Pretendem os seus promotores determinar a origem e os valores da dívida. Saber se existe parte da dívida que é ilegítima e não deve ser paga por todos os contribuintes.
“A propaganda de matriz neoliberal promove a ideia de que a dívida pública portuguesa se ficou a dever sobretudo aos gastos com as funções sociais do Estado”, lê-se no documento saído do encontro. “No entanto, há contratos públicos pouco escrutinados, de que resulta, a prazo, maior endividamento público. É o caso de diversas Parcerias Público-Privadas (PPP), que, como indiciam relatórios do próprio Tribunal de Contas, se têm vindo a revelar gravosas para o Estado.”
O movimento descreve a auditoria que pretende fazer como externa, porque a comissão não é estatal, e independente, porque garante um muito maior grau de transparência e de prestação de contas aos cidadãos. “No entanto, não significa que ela prescinda da colaboração com instituições públicas específicas, como o Tribunal de Contas, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público ou o Banco de Portugal”, acrescenta. “Pelo contrário: essa colaboração deve existir e deve ser estreita, já que estas instituições possuem dados e competências essenciais para levar a cabo o trabalho de auditoria. É preciso obtê-los e exigi-los.”
O movimento acusa também as autoridades nacionais de não estarem a encarar o problema da dívida na óptica dos interesses da população portuguesa. E que esse foi o motivo principal de se unirem, para promoverem um processo de auditoria cidadã à dívida pública nacional.
“A auditoria deve avaliar a complexidade do problema da dívida, calcular a sua dimensão, determinar as partes da dívida que são ilegais, ilegítimas, ou insustentáveis, e exigir a sua reestruturação e redução para níveis social e economicamente sustentáveis”, exigiram os participantes no encontro de sábado. “Este trabalho pode levar à conclusão de que há parcelas da dívida que devem ser repudiadas.”
Austeridade Para o movimento, esta palavra, ou a estratégia de “desvalorização interna”, com que o governo promete resolver de um só golpe os problemas do défice das contas públicas e das transacções com o exterior, é uma falácia.
O aumento do desemprego, induzido pela recessão, combinado com a retracção da protecção social aos desempregados, são os mecanismos que acabam por forçar a redução dos salários e retrair ainda mais a economia, pela diminuição da procura agregada. Ao contrário de recuperar as contas, a economia tenderá, segundo os subscritores, a entrar numa espécie de armadilha, quanto mais se paga a dívida, mais se deve.
Mais. No encontro foi salientado que esta estratégia ignora o risco de uma permanente derrapagem das contas públicas resultante da retracção da receita fiscal criada pela recessão. Sendo que também é “socialmente brutal e economicamente fútil”. E que no final da intervenção da troika, Portugal terá uma dívida pública maior e estará mais pobre.»
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País
domingo, 11 de dezembro de 2011
Comunicação Social regional e local descura Reforma da Administração Local
Tendo em conta relevância diminuta que os órgãos de comunicação local e regional têm atribuído ao tema da Reforma da Administração Local, concretamente ao nível da sua vertente mais relevante, que passa pela agregação de freguesias, limitando-se a noticiar eventos e acontecimentos relacionados sobre este tema, sem procurar ouvir as populações, os seus representantes, não elaborando um estudo e reportagem aprofundados na senda da informação/esclarecimento dos leitores/ouvintes e sem desencadear a necessária discussão.
Na sequência do debate realizado recentemente e da discussão que tem vindo a desencadear, de forma melhor percepcionar o que está em jogo, a associação cívica Os Amigos do Forte realizou a este propósito e a título exemplificativo um exercício quanto às freguesias dos municípios do Vale do Tejo que preenchem os requisitos de agregação segundo os critérios do Governo. A conclusão é simples: 38% (58) das freguesias englobadas na análise (156 freguesias) preenche os requisitos de agregação.
Se no caso do município de Vila Franca apenas duas freguesias se encontram nessa situação, noutros municípios a situação é radicalmente diferente. Mais de metade das freguesias irão desaparecer, como são os casos de Santarém (agregação de 18 em 28 freguesias), Tomar (agregação de 10 em 16 freguesias) ou Torres Novas (agregação de 10 em 17 freguesias) – para maior pormenor propomos consulta da tabela 1.
Sendo a Administração Local o tipo de administração do estado que mais próximo está das populações, que melhor conhece as suas características, seus problemas e necessidades, por ser o veículo através do qual cada comunidade e indivíduo pode mais facilmente participar activamente na vida pública do país.
Por tratar a comunicação social regional e local dos problemas, necessidades, acontecimentos e factos específicos que envolvem e afectam as comunidades concretas em que se inserem, estando por esse motivo mais próximos e conhecendo melhor essas características específicas, consideramos ser responsabilidade destes órgãos contribuir decisivamente para a informação dos seus leitores/seguidores, não se limitando a noticiar acontecimentos e a reproduzir posições públicas sem evidenciar aprofundamento crítico de temas importantes a nível regional/local, como é o caso da reforma em causa.
Foi neste seio, de espírito crítico e construtivo que Os Amigos do Forte decidiram estudar a reforma da administração local, analisar os cenários e seus impactos no município de Vila Franca de Xira, contribuir para a informação e esclarecimento da população, assim como desencadear a discussão, nomeadamente através do debate realizado no dia 25 de Novembro.
Nesta medida, não podemos deixar de manifestar algum desagrado quanto à forma como o tema tem sido tratado, desde logo quando as instituições públicas e os próprios media se demitem dos seus papéis neste contexto e não utilizam os meios disponíveis a favor do debate informado e atento do futuro político e cívico das comunidades, sem valorizar aquilo que mais conta: os destinatários das políticas (as pessoas).
Tabela 1 – Freguesias a manter e a agregar em 17 Municípios do Vale do Tejo
Município
|
N.º Actual Freguesias
|
N.º Freguesias a Manter
|
N.º Freguesias a Agregar
|
Alcanena
|
10
|
8
|
2
|
Almeirim
|
4
|
4
|
0
|
Alpiarça
|
1
|
1
|
0
|
Azambuja
|
9
|
7
|
2
|
Benavente
|
4
|
4
|
0
|
Cartaxo
|
8
|
8
|
0
|
Chamusca
|
7
|
7
|
0
|
Constância
|
3
|
3
|
0
|
Coruche
|
8
|
8
|
0
|
Entroncamento
|
2
|
0
|
2
|
Golegã
|
2
|
2
|
0
|
Ourém
|
18
|
6
|
12
|
Salvaterra de Magos
|
6
|
6
|
0
|
Santarém
|
28
|
10
|
18
|
Tomar
|
16
|
6
|
10
|
Torres Novas
|
17
|
7
|
10
|
Vila Franca de Xira
|
11
|
9
|
2
|
TOTAIS
|
154
|
96
|
58
|
100%
|
62%
|
38%
|
Etiquetas:
Reforma Administração Local
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Partido "Os Verdes" apresentam projeto-lei para consagrar a defesa do uso da bicicleta em sede do Código do Estrada
.
Segundo notícia a agência Lusa, «o Partido Ecologista Os Verdes entregou na Assembleia da República um projeto-lei que visa alterar o actual Código da Estrada no sentido de valorizar e defender o papel da bicicleta na via pública.
Numa nota informativa, o grupo parlamentar de Os Verdes refere que o projeto-lei pretende a consagração de um novo quadro legal que levará a uma melhoria da segurança viária - descongestionando o trânsito - com impactos positivos no ordenamento do território, no planeamento urbano e na qualidade de vida.
"Com este projecto de lei, Os Verdes pretendem integrar no Código da Estrada um princípio de respeito, valorização e reconhecimento do papel da bicicleta na via pública, que não pode continuar subalternizada face ao automóvel, nomeadamente no que toca à regra geral da prioridade", refere a nota.
O partido pretende que seja reconhecida a "legítima existência de utilizadores das vias públicas que apresentam maior fragilidade, como o peão e a bicicleta, face aos veículos a motor” e afirma o “especial dever de prudência" que deve recair sobre estes.
De acordo com a proposta de Os Verdes, assente na afirmação da importância da bicicleta e das ciclovias, o partido pretende incluir alíneas em 14 artigos do Código da Estrada, uma vez que considera que a bicicleta continua a ser colocada numa situação de menoridade viária e jurídica face ao automóvel.
A proposta foi entregue a 02 de Dezembro e a discussão no Parlamento ainda não foi agendada.»
Fonte: Jornal Destal online (06/12/2011)
Segundo notícia a agência Lusa, «o Partido Ecologista Os Verdes entregou na Assembleia da República um projeto-lei que visa alterar o actual Código da Estrada no sentido de valorizar e defender o papel da bicicleta na via pública.
Numa nota informativa, o grupo parlamentar de Os Verdes refere que o projeto-lei pretende a consagração de um novo quadro legal que levará a uma melhoria da segurança viária - descongestionando o trânsito - com impactos positivos no ordenamento do território, no planeamento urbano e na qualidade de vida.
"Com este projecto de lei, Os Verdes pretendem integrar no Código da Estrada um princípio de respeito, valorização e reconhecimento do papel da bicicleta na via pública, que não pode continuar subalternizada face ao automóvel, nomeadamente no que toca à regra geral da prioridade", refere a nota.
O partido pretende que seja reconhecida a "legítima existência de utilizadores das vias públicas que apresentam maior fragilidade, como o peão e a bicicleta, face aos veículos a motor” e afirma o “especial dever de prudência" que deve recair sobre estes.
De acordo com a proposta de Os Verdes, assente na afirmação da importância da bicicleta e das ciclovias, o partido pretende incluir alíneas em 14 artigos do Código da Estrada, uma vez que considera que a bicicleta continua a ser colocada numa situação de menoridade viária e jurídica face ao automóvel.
A proposta foi entregue a 02 de Dezembro e a discussão no Parlamento ainda não foi agendada.»
Fonte: Jornal Destal online (06/12/2011)
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Ambiente,
Mobilidade
domingo, 4 de dezembro de 2011
Polémica em torno da Reforma da Administração Local continua: congresso ANAFRE
A polémica em torno da Reforma da Administração Local continua. Ministro Miguel Relvas foi fortemente contestado no congresso da ANAFRE que se realizou esta Sexta e Sábado.
Leia aqui a notícia ("Miguel Relvas vaiado no congresso das freguesia") da agência Lusa, de 03 de Dezembro:
«Foi um momento difícil para um ministro, mas que, segundo o próprio, não desviará o Governo do seu objectivo. O ministro Miguel Relvas foi fortemente contestado neste sábado, quando foi encerrar o congresso da Associação Nacional de Freguesias. Metade dos 1600 congressistas abandonaram a sala onde decorreram os trabalhos, em Portimão. Uma forma de virar as costas à proposta de extinção de freguesias defendida pelo Governo. No final, Relvas disse que o clima de contestação foi gerado propositadamente contra si. Uma acusação sem destinatário, dado que se recusou a identificar os autores.
Interrompido diversas vezes por vaias e palavras de contestação, segundo descreve a Lusa, o ministro da Presidência, que tutela este dossier, garantiu que a reforma administrativa do país irá para a frente. “Vamos ser claros. Esta reforma da Administração Local é uma exigência geracional e o Governo está determinado na sua concretização”, vincou Miguel Relvas (PSD), que tentou aplacar as críticas com a promessa de que a reforma “será feita com os autarcas e não contra os autarcas”.
O governante frisou também que as mudanças que o Governo pretende imprimir na organização administrativa do país decorrem "do memorando de entendimento assinado pelo anterior Governo, num momento particularmente difícil, provocado pelo facto de não termos sido capazes de mudar no momento certo”. Uma alusão ao acordo do país com a troika, composta pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, e que estabeleceu as bases para o empréstimo internacional que ajudou o país a evitar a bancarrota.
Diz a Lusa que apesar da contestação da maioria dos que ficaram na sala, o ministro revelou que o Governo está inflexível no compromisso de reduzir as 4259 freguesias actuais, “para dar escala e valor adicional às novas entidades que resultarão do processo de aglomeração”, sustentando que elas terão reforçadas a sua actuação e competência. Além disso, “esta reforma respeita o direito ao nome, aos símbolos, à História e à cultura das autarquias agregadas”, prometeu o ministro, que defendeu a redução do número de freguesias com diversos argumentos
Um deles foi o de que "há quase 1600 juntas que recebem transferências do Estado inferiores a 25.000 euros" e, no entanto, só em senhas de presença do executivo "gastam 10.000" . A questão da poupança de recursos é, porém, polémica, uma vez que os representantes da Anafre entendem que a proposta de reforma não irá poupar nem um cêntimo ao erário público. Por essa razão, o congresso deveria chumbar o plano do Governo.
Relvas entende que o país precisa de “menos órgãos autárquicos de freguesia para libertar recursos e, por outro lado, reforçar algumas competências próprias, permitindo que as novas freguesias recebam directamente do Orçamento do Estado os respectivos envelopes financeiros”.
Daí que a proposta, cujos critérios já foram condensados no Documento Verde da Reforma da Administração Local, não é uma reforma “economicista”, mas sim uma medida “para gerir o território de forma mais racional em complementaridade com os municípios”.
O ministro guardou ainda um elogio para os autarcas que já deram início "de forma espontânea" a esta reforma. Um elogio que serviria aos da Câmara de Lisboa, que aprovou a redução das 53 freguesias para 24, segundo um acordo PS/PSD.
Segundo a Lusa, o XIII Congresso Nacional de Freguesias, que começou na sexta-feira e terminou neste sábado em Portimão, contou com 1300 delegados e 500 observadores.»
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Reforma Administração Local
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