Aliás o filme «O Gebo e a Sombra», de Manoel de Oliveira, também terá estreia
em Veneza mas fora de competição, o que motivou Branco, que produziu vários
filmes do decano dos cineastas, a afirmar que «queria mandar um grande abraço ao
Manoel, que foi lá nove vezes comigo e, felizmente, continua a ir lá sem mim. E
espero encontrá-lo lá».
«As Linhas de Wellington», que chegou a ter o entretanto falecido Raúl Ruiz
como realizador, foi assinado por Valeria Sarmiento, viúva do cineasta chileno,
e é protagonizado por um elenco vasto, que conta com nomes como Soraia Chaves,
Nuno Lopes, Albano Jerónimo, Joana de Verona, Afonso Pimentel e Marcello
Urghege, além de figuras internacionais como John Malkovich, Catherine Deneuve,
Isabelle Huppert ou Marisa Paredes.
A película, que envolve uma extensa reconstituição de época, é de um fulgor
invulgar no panorama do cinema português, com o produtor a sublinhar que «talvez
só o «Non ou a Vã Glória de Mandar» tenha sido tão exigente como este em termos
de produção». «As Linhas de Wellington» tem um orçamento de quatro milhões e
meio de euros, sendo o financiamento maioritariamente internacional, com um
milhão e 200 mil euros de origem portuguesa.
O pano de fundo é histórico: Entre 1810 e 1811, o marechal francês Massena
foi derrotado em Portugal pelo general Arthur Wellesley, duque de Wellington,
que liderou um exército anglo-português e utilizou uma estratégia vitoriosa com
base numa linha de fortificações que protegia Lisboa - as Linhas de Torres
Vedras.
Segundo o produtor, «o projeto nasceu de uma conversa e um interesse da
Câmara Municipal de Torres Vedras em comemorar o bicentenário da Linhas de
Torres, através de um possível projecto audiovisual ou cinematográfico, que
pudesse ser um documentário ou uma ficção. A partir daí, devido à riqueza
histórica desse período na história portuguesa e na história europeia, e até a
algum desconhecimento dessa história em termos nacionais, eu aceitei o desafio e
pedi ao Carlos Saboga para escrever um guião».
O que Saboga entregou a Paulo Branco foi, segundo o próprio, «um dos melhores
argumentos que li em toda a minha vida de produtor, e foi lido por vários
realizadores internacionais que tiveram exatamente a mesma opinião que eu. O
projecto, a partir daí, com um argumento desses, tornou-se mais fácil ser uma
realidade».
Claro que ajudou muito o êxito internacional de «Mistérios de Lisboa», também
produzido por Branco, e a presença do seu realizador, Raúl Ruiz, entretanto
falecido: «por causa desse filme os financiamentos internacionais tornaram-se
mais fáceis, porque lá fora acreditaram na qualidade que podíamos trazer a
qualquer projeto filmado em Portugal, na qualidade dos nossos atores e das
nossas equipas». A escolha de Valeria Sarmiento para o substituir não foi
imediata: «havia várias hipóteses em cima da mesa mas eu achei que a pessoa que
mais diretamente conhecia o projeto era ela. Eu já tinha produzido três filmes
com a Valeria Sarmiento, era alguém que eu conhecia profundamente, e senti que a
melhor escolha seria ela».
O facto de aquele período histórico não ser particularmente conhecido,
nacional e internacionalmente, também entusiasmou os atores: Soraia Chaves
sublinhou que «é uma parte da história de que nós não ouvimos falar muito na
escola, parece-me que não é um episódio da história de que queiramos muito
falar. Eu descobri as calamidades que se fizeram e que foram de certa forma
escondidas. O projeto é fascinante também por isso, porque nos permite entrar em
contacto com uma realidade que não nos estava próxima».
Um aspeto particularmente relevante é o facto de o filme ter sido acolhido
pelo Ministério da Educação e, segundo a atriz Joana de Verona, «passar a ser
matéria de estudo programático nas escolas, o que nos deixa orgulhosos de poder
participar num projecto que é tão pedagógico».
Para Albano Jerónimo, na rodagem, «o mais difícil foram as condições
climatéricas, porque foi muito, muito difícil, estava mesmo muito frio. Mas isso
infuenciou também positivamente o resultado final, porque deu ao filme uma
ambiência muito própria, porque o frio tornava presente um lado muito mais
físico».
«As Linhas de Wellington» estreia em Portugal a 4 de outubro, e em França a
21 de novembro, em mais de 30 cidades. Haverá também uma série de televisão de
três episódios intitulada «As Linhas de Torres», com os próprios atores
portugueses a dobrarem as respetivas personagens em francês para exibição na
televisão do hexágono.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
VISITA À ESTAÇÃO ARQUEOLÓGICA DE MONTE DOS CASTELINHOS - CASTANHEIRA DO RIBATEJO
No seguimento do convite endereçado aos Amigos do Forte, por parte do Museu Municipal, deixamos aqui a reprodução do mesmo, para que qualquer interessado possa participar.

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Vila Franca de Xira (concelho)
terça-feira, 31 de julho de 2012
Novo parque ribeirinho liga Alverca a Póvoa de Santa Iria
O novo parque ribeirinho entre Alverca à Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, terá seis quilómetros de extensão e permitirá aos utilizadores caminhar, andar de bicicleta, pescar e observar aves. O estudo prévio foi apresentado aos vereadores da Câmara de Vila Franca de Xira na última reunião do executivo. As obras inserem-se numa candidatura apresentada a fundos comunitários para requalificar a zona ribeirinha a sul do concelho.
O projecto assenta num conceito de estruturas verdes, ecológicas e de reaproveitamento dos caminhos existentes. A ideia é ligar a estação de comboios de Alverca à praia dos pescadores e ao futuro parque urbano da Póvoa de Santa Iria. Através de uma passagem superior pedonal será também possível o acesso a Forte da Casa. Ao todo, segundo Luís Ribeiro, arquitecto encarregado do estudo, estarão disponíveis 4,7 hectares e seis quilómetros de trilhos ao serviço da população. "Desde Janeiro que temos estado no terreno a preparar este estudo e temos sempre encontrado pessoas que já usam estes trilhos. É muito interessante", observou Luís Ribeiro.
Junto à praia dos pescadores está prevista a criação de um parque de merendas e uma zona de recreio e lazer. Um centro de interpretação da paisagem irá nascer num conjunto de contentores que actualmente se encontram abandonados no local. "Irão ser reciclados e no local deverá nascer também uma zona de apoio com cafetaria", avançou. Por se tratar de um estudo prévio o projecto não tem ainda um valor definido mas o que foi apresentado agradou aos eleitos municipais. Ainda este ano, recorde-se, o município apresentou também o estudo prévio do novo parque urbano da Póvoa de Santa Iria.
Fonte: http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=&id=52772&idSeccao=479&Action=noticia
O projecto assenta num conceito de estruturas verdes, ecológicas e de reaproveitamento dos caminhos existentes. A ideia é ligar a estação de comboios de Alverca à praia dos pescadores e ao futuro parque urbano da Póvoa de Santa Iria. Através de uma passagem superior pedonal será também possível o acesso a Forte da Casa. Ao todo, segundo Luís Ribeiro, arquitecto encarregado do estudo, estarão disponíveis 4,7 hectares e seis quilómetros de trilhos ao serviço da população. "Desde Janeiro que temos estado no terreno a preparar este estudo e temos sempre encontrado pessoas que já usam estes trilhos. É muito interessante", observou Luís Ribeiro.
Junto à praia dos pescadores está prevista a criação de um parque de merendas e uma zona de recreio e lazer. Um centro de interpretação da paisagem irá nascer num conjunto de contentores que actualmente se encontram abandonados no local. "Irão ser reciclados e no local deverá nascer também uma zona de apoio com cafetaria", avançou. Por se tratar de um estudo prévio o projecto não tem ainda um valor definido mas o que foi apresentado agradou aos eleitos municipais. Ainda este ano, recorde-se, o município apresentou também o estudo prévio do novo parque urbano da Póvoa de Santa Iria.
Fonte: http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=&id=52772&idSeccao=479&Action=noticia
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Requalificação Ribeirinha
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Piscina que custou 600 mil só tem 5 utentes por dia
Com o objectivo de compensar as populações
pelo funcionamento do Aterro Sanitário do Mato da Cruz e pelo trânsito diário
de dezenas de camiões carregados de resíduos, a Valorsul pagou a construção de
uma piscina junto à localidade de Calhandriz, no concelho de Vila Franca
de Xira. O complexo foi inaugurado em 2002 mas, passados 10 anos, só funciona
nos três meses de Verão, com água fria e, segundo a Câmara de Vila Franca de
Xira, com uma média de 5! utentes diários.
Neste projecto foram gastos cerca de 600
mil euros e, a escassa afluência que foi registando ao longo dos anos, levou a
que os autarcas locais se interrogassem repetidas vezes sobre o “acerto” da
decisão de fazer ali uma piscina coberta. A obra foi feita num extremo do
território da freguesia de Alverca, a uma centena de metros da aldeia de
Calhandriz e a cerca de 6 quilómetros da cidade alverquense. Como a freguesia
de Calhandriz (onde se situa a maior parte do aterro instalado no final da
década de 90 que serve cinco concelhos da região de Lisboa e 12 do Oeste) só
tem cerca de 800 habitantes e a zona envolvente é pouco povoada, a piscina
nunca conseguiu atrair muitos utentes.
Já no final do ano passado, o executivo
camarário socialista decidiu propor o encerramento da Piscina de Calhandriz,
considerando os prejuízos acumulados do seu funcionamento. A proposta foi
aprovada, com o compromisso de que a piscina funcionará apenas nos três meses
de Verão, com água à temperatura ambiente, sem recurso ao sistema de
aquecimento. Segundo Fernando Paulo Ferreira, vereador com o pelouro da gestão
dos equipamentos municipais, esta medida permitirá poupar cerca de 90 mil euros
anuais de despesas associadas ao funcionamento desta piscina.
Agora, a Piscina de Calhandriz
reabriu, temporariamente, mas os hábitos de utilização tornaram-se
ainda mais escassos. “O investimento foi feito para que a piscina funcionasse
em pleno durante todo o ano, foi para isso que foi aprovado”, disse Bernardino
Lima, vereador da CDU, na última reunião camarária, realizada exactamente no
lugar de Calhandriz, lamentando que o executivo PS tenha optado pela
“solução mais fácil de encerrar e retirar a esta freguesia um dos poucos
equipamentos que tem”.
“Neste momento, a Piscina da Calhandriz
tem uma média de 5 utilizadores diários”, refere, por seu turno, a presidente
da Câmara Maria da Luz Rosinha, reconhecendo que esta piscina “fica muito
cara”.
Saiba mais na edição de 18 de Junho do Voz Ribatejana
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Vila Franca de Xira (concelho)
Nota de Imprensa - Projecto de licenciamento nas salinas de Alverca
Localização IBA ameaçada
Mais uma vez, no concelho de Vila Franca de Xira, parece estar a preparar-se uma ofensiva nefasta sobre uma área que deveria estar ao abrigo de qualquer tentativa de agressão ambiental.
As salinas de Alverca, uma área onde habitualmente reside uma diversidade de espécies de aves, com uma importância tal que ostenta a classificação de IBA (Area importante para as Aves), encontra-se hoje ameaçada com o prenúncio de um projecto de instalação de um núcleo logístico, de determinado grupo económico ao abrigo de um compromisso com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. O licenciamento de tal projecto destrói uma biodiversidade e um potencial turístico que urge preservar.
No actual PDM, a área é considerada estrutura ecológica urbana e não deixa de ser no mínimo estranho que a autarquia, venha dar o dito por não dito e pretenda agora desafectar a área daquela classificação.
A pretexto do contributo que tal projecto poderá eventualmente traduzir em desenvolvimento económico para o concelho, atropela-se o que é considerado importante preservar ambientalmente.
Se o desenvolvimento económico é importante, não é menos a sustentabilidade ambiental no quadro de um ordenamento territorial que no presente e no futuro assegure qualidade de vida aos cidadãos contribuintes que são postos à margem de decisões que a todos afecta, menos aos que sem qualquer esforço de análise e preocupação quanto a alternativas menos penalizadoras, pretendem passar por cima da própria legislação.
No passado, diversas organizações ambientalistas e cidadãos anónimos desenvolveram esforços para preservar aquela área e mantê-la protegida e não é lícito que se pretenda agora nos gabinetes autárquicos passar por cima de compromissos anteriormente assumidos.
Porque razão para uns o compromisso é válido e para outros não?
A Associação Cívica “Os Amigos do Forte” manifesta publicamente a sua preocupação sobre mais esta ameaça que se pretende levar por diante e voltaremos ao assunto assim que dispusermos de mais pormenores sobre esta questão, manifestando desde já para conjuntamente com outras organizações e concidadãos que ponham em causa esta acção da Câmara, desenvolver todos os esforços com vista a travar este atentado.
Associação Cívica “Os Amigos do Forte”
Informação sobre a IBA: http://www.birdlife.org/datazone/sitefactsheet.php?id=19678
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Salinas do Forte da Casa e Alverca
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O filme «as Linhas de Wellington» vai ao Festival de Veneza
O filme «as Linhas de Wellington» vai concorrer no Festival de Veneza, que decorrerá entre 29 de agosto e 8 de setembro 8th September 2012 (http://www.labiennale.org/en/cinema/festival/)
Deixamos aqui duas notícias publicadas sobre o tema, que vêm adiantar mais pormenores.
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«As Linhas de Wellington» está na competição oficial do Festival de Veneza
Uma «Guerra e Paz» à portuguesa» foi como o produtor Paulo Branco
descreveu «As Linhas de Wellington», sobre as invasões francesas em Portugal,
com interpretações de Soraia Chaves, Nuno Lopes, Albano Jerónimo e John
Malkovich.
O filme português «As Linhas de Wellington», sobre a
terceira invasão dos franceses a Portugal, está na competição oficial do
Festival de Cinema de Veneza. Paulo Branco, o produtor,
sublinhou hoje à imprensa que o reconhecimento é ««extremamente importante para
a cinematografia portuguesa, porque as presenças [nacionais] em grandes
festivais internacionais em competição são raras, tirando a excepção de dois ou
três grandes realizadores, como Manoel de Oliveira, João César Monteiro e pouco
mais».Luís Salvado - 26-07-2012 14:00
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Portugueses em Veneza: O Gebo e a Sombra e As Linhas de Wellington
27.07.2012 - Vasco Cãmara
Entre
os 17 títulos a concurso no festival de cinema há filmes de Terrence
Malick, Brillante Mendoza, Brian de Palma, Harmony Korine, Olivier
Assayas, Kim Ki-Duk ou Takeshi Kitano
Duas produções portuguesas, O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira, e As Linhas de Wellington, de Valeria Sarmiento, estão seleccionados para o Festival de Veneza. O primeiro fora de concurso, o segundo em competição. As Linhas de Wellington é o filme que Raoul Ruiz não conseguiu concretizar antes da sua morte, em 2011, e que foi prosseguido pela companheira, a realizadora Valeria Sarmiento. Recria as invasões francesas em Portugal, no começo do século XIX, quando o general Arthur Wellesley, duque de Wellington, liderou um exército anglo-português e utilizou uma estratégia defensiva com base numa linha de fortificações que protegia Lisboa - as Linhas de Torres Vedras. Há um exército de intérpretes, por isso: John Malkovich, Marisa Paredes, Nuno Lopes, Carlotto Cota, Albano Jerónimo, Soraia Chaves, Maria João Bastos, Catherine Deneuve, Michel Piccoli, Mathieu Amalric. A produção é de Paulo Branco.
Duas produções portuguesas, O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira, e As Linhas de Wellington, de Valeria Sarmiento, estão seleccionados para o Festival de Veneza. O primeiro fora de concurso, o segundo em competição. As Linhas de Wellington é o filme que Raoul Ruiz não conseguiu concretizar antes da sua morte, em 2011, e que foi prosseguido pela companheira, a realizadora Valeria Sarmiento. Recria as invasões francesas em Portugal, no começo do século XIX, quando o general Arthur Wellesley, duque de Wellington, liderou um exército anglo-português e utilizou uma estratégia defensiva com base numa linha de fortificações que protegia Lisboa - as Linhas de Torres Vedras. Há um exército de intérpretes, por isso: John Malkovich, Marisa Paredes, Nuno Lopes, Carlotto Cota, Albano Jerónimo, Soraia Chaves, Maria João Bastos, Catherine Deneuve, Michel Piccoli, Mathieu Amalric. A produção é de Paulo Branco.
Durante a rodagem, Valeria Sarmiento, em declarações à Lusa, salientava
a importância de "recordar, num momento difícil em que está a Europa,
que ela foi construída a partir de muitas guerras." O filme de Oliveira,
produção de O Som e a Fúria, dirige-se também ao presente a partir da
forma como Raul Brandão, em 1923, retratava o pós-I Guerra na sociedade
portuguesa, a pobreza, a honra, os sacrifícios. Do filme se diz já, em
citações da imprensa internacional, ser um dos mais minimalistas do
realizador, com a simplicidade dos grandes mestres. Cast: Michael
Lonsdale, Claudia Cardinale, Jeanne Moreau, Leonor Silveira, Ricardo
Trêpa, Luís Miguel Cintra. O filme estreará em Portugal, pela Lusomundo,
a 27 de Setembro. Em França terá a sua estreia a 19 de Setembro.
Festival de Veneza, de 9 de Agosto a 8 de Setembro. A abrir, fora de concurso, The Reluctant Fundamentalist, da realizadora Mira Nair, que em 2001 venceu o Leão de Ouro com Monsoon Wedding.
Um jovem paquistanês tenta vencer em Wall Street e as suas aspirações
são apanhadas por dilemas morais e políticos. Um filme em cenário de
fundamentalismos, "para pensar", segundo o director da mostra, Alberto
Barbera. Deve ser isso o programa de um "filme de abertura": trazer
tema(s).
E depois desfilarão 17 filmes em concurso, assim se concretizando a tal
edição mais sóbria e com menos filmes com que o novo director, que
sucede a Marco Müller, tenta aguentar um festival em tempos de crise.
Obras de Olivier Assayas (Après Mai, ou seja, depois de Maio de
68), os italianos Marco Bellochio, Daniele Ciprì e Francesca Comencini,
os americanos Brian de Palma (Passion, thriller erótico muito à la Mulholland Drive), Harmony Korine (Spring Breakers) e Terrence Malick (To the Wonder) ou os asiáticos Kim Ki-Duk (Pieta), Takeshi Kitano (Outrage Beyond, a continuação de Outrage, que ainda não estreou em Portugal) e Brillante Mendoza, que num ano apresenta dois filmes em festivais: Captive em Berlim, e agora Thy Womb - tal como em 2009, com Kinatay em Cannes e Lola em
Veneza, naquele que foi um momento decisivo para a implantação
internacional do filipino. É no Lido que veremos também o segundo tomo
da trilogia Paradies do austríaco Ulrich Seidl. Depois de Amor, visto em Cannes, seguindo o despertar sexual de uma cinquentenária nas praias do Quénia, a Fé. Em Berlim será tempo de Esperança.
Fora de concurso, para além de Oliveira e do filme de abertura: um documentário de Spike Lee na comemoração dos 25 anos de Bad, de Michael Jackson (Spike, recorde-se, realizou para o Rei da Pop o clip de They Don"t Care about Us); The Company you Keep, de Robert Redford; ou Witness: Libya,
de Michael Mann, episódio de uma série da HBO, de que Mann é produtor,
sobre a actividade de fotógrafos em cenários de guerra. Mann presidirá
ao júri da competição desta 69.ª edição.
Valerá a pena a aventura pela secção Horizontes, dedicada a uma vertente exploratória - é aí que está Three Sisters, de Wang Bing -, e pela secção que apresentará clássicos restaurados, como Fanny e Alexander de Ingmar Bergman ou os 219 minutos de As Portas do Céu,
de Michael Cimino, o tal filme cujo fracasso - e má reputação do
realizador - deu o golpe de misericórdia no sonho de uma geração que
ficou conhecida como a dos movie brats.
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Linhas Defensivas de Torres
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Um olhar sobre "O Forte da Casa e o seu centro interpretativo "
Cá está uma opinião deixada deixada na blogoesfera por um amante do património e de viagens de descoberta pura, sobre a boa surpresa de se ter cruzado com o Forte da Casa e com o património ligado às linhas torres e, por outro lado, a má impressão com que ficou da forma como espaço foi concebido, é gerido e a informação que deveria oferecer mas não oferece aos visitantes.
Para lá apontar limitações do espaço e falhas dos equipamentos e serviço público que alegadamente deveria ali servido, com base nas nessas limitações e na pobreza que as autarquias insistem em oferecer aquele espaço (sabe-se lá com que intenção; talvez queiram justificar o fecho) é a determinada altura uma questão importante e que não deve ser ignorada: «para que serve o Centro Interpretativo do Forte da Casa?».
Mas o blogger Rui Franco não fica apenas pela pergunta, dá mesmo a resposta e nós não podemos deixar de a subscrever: «Se se faz um centro
interpretativo, ele tem de ser uma mais valia para o visitante e não
somente uma acumulação de pequenos nadas que acabam por passar uma
imagem frustrante para quem lá vai».
A negrito destacamos algumas das passagens mais importantes.
Um post ao cuidado da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e da Junta de Freguesia do Forte da Casa (tendo em conta o protocolo celebrado com a primeira entidade).
Pena que este comentário não posso ter ficado depositado numa caixa dedicada esse fim no centro interpretativo. Deixamos a sua transcrição na integra:
«Eu nunca tinha ouvido falar do Forte da Casa. Já tinha passado várias vezes junto de
Forte da Casa mas, por qualquer razão, nunca tinha associado o nome da
localidade à existência de uma fortificação. Talvez porque o aspeto
absolutamente desinteressante daquilo que se vê da estrada nunca tenha
despertado a minha imaginação para a hipótese de, por trás da muralha de
feios edifícios, poder haver qualquer coisa que me pudesse - ainda que
remotamente -, interessar. Preconceito? Sim.
Durante o planeamento de um passeio até Vila Franca de Xira (naquela fase em que se anda a saltar de site em site),
dei de caras com uma referência à existência, em Forte da Casa, de um
dos muitos exemplares das construções militares que faziam parte da
Linha de Torres [Vedras], essa magnífica sucessão de fortificações que
tinha como objetivo (conseguido, diga-se), suster o avanço napoleónico
na terceira invasão francesa, no Séc. XIX. Imediatamente acrescentei o
local à minha rota.
Na devida altura, e após algumas voltas mais fruto de alguma azelhice do
que, propriamente, de más indicações, lá dei por mim em frente dos
restos da "Obra nº 38" (referência do local, no sistema defensivo). Se
eu fosse à procura de um forte sólido e imponente, ter-me-ia desiludido
imediatamente perante a visão de poucas pedras e muita terra mas eu já
sabia do estado do conjunto e, verdade seja dita, a fortificação é
perfeitamente identificável, apesar da degradação causada pelo tempo. No
interior (muito bem arranjado, para local de passeio e descanso),
existe um "centro interpretativo", coisa que, na minha experiência, pode
oscilar entre um contentor vazio e um autêntico museu. No caso, estamos
mais próximos da primeira situação.
O "Centro interpretativo do Forte da Casa", é uma pequena "caixa" de cor
de ferrugem cujas paredes interiores estão cobertas com informação
sobre as Linhas, informação essa que recorre a gravuras da época para
nos dar uma ideia de como tudo aquilo era. Um dos painéis, apresenta um
salto no texto, provavelmente correspondente à omissão de, pelo menos,
meia frase. Assim foi feito e assim ficou... A um canto, um grande écran
tátil mostra-nos uma desenxabida página de internet com ligações para
conteúdos sobre o forte e o sistema defensivo. Carreguei num dos links
com a perspetiva de ver um vídeo e apareceu-me um aviso de
descarregamento de ficheiro para instalação. "Quer continuar com o
download?", perguntou-me o computador - deixa lá, pá, fica para outra
vez. De seguida, carreguei noutro link, e o chato do computador
voltou a não me fazer a vontade porque... não tinha ligação à internet.
Desisti, ao perceber que não ia sacar nada daquele aparelho.
Voltei-me para o pequeno balcão sobre o qual se alinhavam algumas
publicações relativas às Linhas. A funcionária presente acompanhou o meu
interesse com alguma conversa na qual me esclareceu logo que não tinha
nada daquilo para venda e que eu teria de ir, pelo menos, a Alverca, ao
núcleo museológico local. Ou aí ou a Vila Franca de Xira... Perante o
mais do que óbvio interesse das publicações (uma das quais um guia
pormenorizado das rotas disponíveis, com indicações GPS para tudo - um
tesouro!, digo eu), senti-me tentado a voltar atrás uns poucos
quilómetros para adquirir os livros. E ainda mais o fiquei quando soube
dos preços obscenamente baratos daquilo (€1 por um guia de rotas e €5
por um grande livro com a história das Linhas). Era ala para Alverca que
os livros estão à minha espera! (*)
Mas, o entusiasmo pela qualidade das publicações que eu procurava
comprar e pelo seu preço simbólico, não podiam ocultar uma grande
pergunta: para que serve o Centro Interpretativo do Forte da Casa? A
informação mostrada nas paredes é pouca (e podia perfeitamente fazer
parte dos painéis existentes no exterior); a informação no computador,
pelos vistos, está inacessível (e, suspeito, que seja de pouco
interesse); os livros mostrados não estão para venda... Então, para que
serve aquilo? Para justificar um posto de trabalho?
A preservação do nosso património edificado vive muito de um certo
voluntarismo que, por vezes, nos tenta fazer crer que coisas simples
como uns painéis informativos ou um arranjo paisagístico são grandes
progressos em prol do Património quando, na realidade, mais não passam
do que o cumprir de pequenas obrigações básicas. Outras vezes, gastam-se
mundos e fundos em "grandiosos" programas que, no fim, se traduzem em
frios arranjos a leste das necessidades e interesses dos visitantes.
Dir-se-á que tudo isto é melhor do que nada, melhor do que o abandono
puro e simples. Obviamente que sim e, só mesmo em casos extremos, fazer
algo é pior do que deixar estar mas... porque razão não se podem fazer
as coisas - as pequenas coisas -, bem? Se se faz um centro
interpretativo, ele tem de ser uma mais valia para o visitante e não
somente uma acumulação de pequenos nadas que acabam por passar uma
imagem frustrante para quem lá vai.
Indicada aqui a medida do meu desconsolo, termino com nota em sentido
contrário: vale bem a pena, para quem é da capital (e não só, claro),
gastar algum tempo percorrendo os sites dos municípios do
distrito de Lisboa em busca de informação sobre o património neles
existente. É uma agradável sensação de descoberta que só pode terminar
com a exclamação "Tanta coisa para ver!".
(*) Em Alverca seria recebido por uma funcionária de inexcedível
simpatia que, inclusivamente, me ofereceu um interessante livro sobre a
localidade. Males que vêm por bem...».
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Linhas Defensivas de Torres
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Rota Histórica das Linhas Torres premiada pelo Turismo de Portugal
«O projecto
"Rota Histórica das Linhas de Torres", apresentado pelo Município de
Mafra e pelos Municípios de Arruda dos Vinhos, Loures, Sobral de Monte
Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, recebeu o "Prémio da
Categoria Requalificação Projecto Público", no âmbito da VII Edição
Prémios Turismo de Portugal 2011.
A cerimónia de entrega dos prémios realizou-se no dia 26 de Junho, na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa.
A distinção, atribuída pelo júri presidido pelo Professor Doutor Guilherme d'Oliveira Martins, reconhece o contributo do projecto para a qualificação do turismo nacional e para a notoriedade de Portugal como destino turístico de excelência. Saiba mais sobre o projecto "Rota Histórica das Linhas de Torres": Na sequência das segundas invasões francesas, o duque de Wellington, comandando as tropas britânicas, teceu uma estratégia defensiva para a defesa de Lisboa que previa a construção de três linhas de redutos (pequenos fortes) que reforçavam os obstáculos naturais entre o Tejo e o Oceano Atlântico. Este sistema defensivo constituiu um dos marcos da arquitectura e estratégia militares da História Europeia, pela sua extensão (85 km), pelo número de fortificações (152), pela conjuntura que presidiu à sua edificação (envolvendo portugueses, ingleses e outros aliados europeus) e pela eficácia bélica alcançada - pois determinou o início da derrota final das tropas napoleónicas.
Estes redutos
estavam armados de peças de artilharia que defendiam todas as vias de
acesso. O trabalho decorreu em segredo absoluto: sob o comando inglês,
mais de 150.000 camponeses trabalharam na construção destas
fortificações, perfazendo um total de 152 fortes.
O esforço deste
empreendimento resultou na derrota francesa, marcando o final das
guerras napoleónicas. Passados dois séculos restam os vestígios
materiais destes confrontos, inseridos ora em meio urbano, ora em meio
rural.
Terminada a sua utilidade estratégico-militar, este património
cultural europeu foi-se degradando, tendo-se tornado necessária uma
intervenção de reabilitação, que permitisse o seu usufruto por parte das
populações e a sua constituição, não só como um importante elemento
identitário, mas também como um valioso recurso turístico, cultural e
educativo, para questões tão diversas como a cidadania, a defesa do
Ambiente ou a História Europeia.
O projecto integrado de Salvaguarda,
Recuperação e Valorização das Linhas de Torres Vedras consistiu assim
na recuperação da parte mais significativa de um sistema de
fortificações militares de campo, construído, na sua grande parte, entre
1809 e 1810, para a defesa da cidade de Lisboa, face às invasões do
exército napoleónico, durante a Guerra Peninsular (1807 - 1814).
Para
tal, as Câmaras Municipais de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral
de Monte Agraço,Torres Vedras e Vila Franca de Xira, em cuja área
concelhia se situam as 1.ª e 2.ª Linhas, constituiram a Plataforma
Intermunicipal para as Linhas de Torres (PILT).
Este projecto mereceu
o financiamento por parte do EEAGrants, Mecanismo Financeiro do Espaço
Económico Europeu. Começados os trabalhos em 2006, os mesmos
continuaram até Abril de 2011. Porém, à medida que os projectos
específicos iam sendo terminados, estes iam sendo abertos à fruição
pública.
Neste momento, a Rota Histórica das Linhas de Torres - no
que respeita a esta primeira fase do projecto - está aberta ao público.
A
Rota Histórica das Linhas de Torres compõe-se dos vários fortes
recuperados e agrupados em Circuitos e em 6 Centros Interpretativos,
cada um com uma temática própria para além do discurso comum de
informação ao turista.
Foi também criada uma Grande Rota pedestre - a GR30 - que engloba toda a área, subdividida em percursos de extensão vária.»
Fonte: site da Câmara Municipal de Mafra, 27/06/2012 (http://www.cm-mafra.pt/turismo/noticia.asp?noticia=1913)
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Linhas Defensivas de Torres
A RHLT no Portal de Percursos Interpretação
Sugerimos vivamente a todos os interessados na Rota Histórica das Linhas Torres, a visita do Portal de Percursos e Interpretação, do qual consta informação muito completa sobre a rota e o património que a compõe.
Informação fundamental, a não perder!
Bons passeios!
Bons passeios!
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Linhas Defensivas de Torres
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Reforma Territorial da Administração Local - Unidade Técnica
O diploma (Lei n.º 22/2012) que formaliza a reorganização administrativa territorial autárquica, no seu artigo artigo 13.º prevê a existência de uma Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território que funcionará junto e apoiará a Assembleia da República. Importa realçar que, em paralelo às suas competências meramente instrumentais, esta unidade terá por missão substituir as assembleias municipais no caso de estas não participarem voluntariamente no processo de reorganização talhado pelo Governo atual.
Esta unidade é composta por um total de 16 elementos:
- 5 técnicos da Assembleia da República;
- 1 técnico da DGAL;
- 1 técnico da DGT;
- 5 técnicos das CCDR's;
- 2 técnicos da ANAFRE;
- 2 técnicos da ANMP.
A ANAFRE já anunciou que não participará na unidade. Ainda sem entrar em funções já só restam 14 elementos.
O que farão os representantes da ANMP nesta unidade, se se trata de uma reforma que não diz respeito aos municípios? O Governo não quis deliberadamente deixar de fora os municípios? Para quê envolve-los agora nesta contenda? Serão que estão à espera de alguma agregação voluntária entre municípios?!
No Parlamento o PS e restantes partidos da oposição já se demarcaram totalmente desta reorganização....
O que será desta reforma? O horizonte é negro. Os prejudicados, de uma forma ou de outra, são sempre os mesmos.
Uma reforma pouco democrática, de uma administração cuja existência é anterior à existência do próprio estado.
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