terça-feira, 23 de outubro de 2012

Filme “Linhas de Wellington” em Vila Franca de Xira


O filme “Linhas de Wellington” vai ser exibido em Vila Franca de Xira no dia 29 de outubro, pelas 21h00, no Museu Neo–Realismo, Vila Franca de Xira.

Informam-se todos os interessados que os bilhetes se encontram à venda no Museu do Neo–Realismo e têm um custo de €3,00.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

«Linhas de Wellington já foi visto por 22 mil pessoas»

«O filme de Valeria Sarmiento já levou ao cinema mais de 20 mil espectadores. Estreada a 4 de Outubro último, a produção de Paulo Branco conta com grandes nomes no elenco, entre os quais Nuno Lopes,

Segundo a produtora Leopardo Filmes, de Paulo Branco, o total contabilizado integra também o número de espectadores que marcaram presença nas várias sessões que decorreram fora do circuito comercial.
O filme ocupa o 6º lugar no ranking dos filmes mais vistos durante o último fim-de-semana e vai continuar em digressão pelo país. Na quinta-feira, dia 18, o Auditório Municipal de Arruda dos Vinhos vai exibir o filme em três sessões (9h30, 14h30 e 20h30), com a presença de Filipe Vargas, actor que integra o elenco principal. No mesmo dia, em Loulé, é Victoria Guerra que apresenta 'Linhas de Wellington' no Cine-teatro Louletano.

O filme regressa ainda a Coimbra e Braga (depois de sessões esgotadas na semana passada. No Teatro Académico Gil Vicente, na cidade dos estudantes, a sessão da próxima quinta-feira, dia 18, às 18h e às 21h30. Já o Theatro Circo de Braga volta a exibir o filme no dia 22, às 21h30.
'Linhas de Wellington' segue a história de várias personagens que se viram afectadas ou envolvidas pelas Invasões Francesas no séc. XIX, desde figuras do povo a ilustres militares como o prórpio Wellingtonm, responsável pela edificação das fortificações de Torres Vedras, que travaram as tropas de Napoleão.

O filme foi idealizado por Raul Ruiz, responsável pelo êxito de 'Os Mistérios de Lisboa' mas, dada a sua morte no ano passado, a realização ficou a cargo da sua esposa, Valeria Sarmiento, conhecedora profunda da sua obra também enquanto responsável pela montagem dos seus filmes.»

Correio da Manhã

15 Outubro 201

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/linhas-de-wellington-ja-foi-visto-por-22-mil-pessoas


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

«Câmara de Vila Franca de Xira aprova protocolos para requalificação da frente ribeirinha»



«A Câmara de Vila Franca de Xira decidiu abdicar da área que a empresa Teixeira Duarte tem que ceder para o domínio público no futuro loteamento "Vila Rio", em troca por uma faixa de terreno propriedade da empresa que abrange as zonas ribeirinhas de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. Neste terreno da construtora e noutros da Administração do Porto de Lisboa vão ser feitos o parque linear ribeirinho do estuário do Tejo, que une Alverca ao Forte da Casa, e o parque urbano da Póvoa

Os protocolos foram aprovados com os votos favoráveis do Partido Socialista e da coligação Novo Rumo. "A CDU não concorda que para se construir um parque urbano seja preciso aprovar no futuro uma operação urbanística", acusou a vereadora comunista Ana Lídia Cardoso. A presidente do executivo, Maria da Luz Rosinha (PS), garantiu que a cedência dos terrenos à câmara não obriga a uma futura aprovação do loteamento.
Na mesma reunião camarária, na terça-feira, foram lançados os dois concursos públicos no valor de 4,1 milhões de euros para a construção dos parques. O investimento previsto para o parque urbano da Póvoa é de 2,5 milhões de euros. O parque ribeirinho entre Alverca e Forte da Casa está orçado em 1,6 milhões de euros. As duas obras inserem-se na candidatura aprovada para a requalificação da frente ribeirinha da zona sul do concelho de Vila Franca de Xira, financiada por fundos comunitários.»

Tema a analisar e a acompanhar. Em breve traremos mais pormenores.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Linhas de Wellington–Estreia Nacional 04 de Outubro de 2012

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O filme  As linhas de Wellington , da realizadora chilena Valeria Sarmiento, que recria um episódio da História de Portugal - as invasões francesas -, estreia-se na quinta-feira, em 17 salas, e estará em itinerância em cineclubes e cineteatros.

Fonte da distribuidora disse à agência Lusa que o filme, produzido por Paulo Branco, terá estreia em 17 salas de cinema comercial, às quais se junta uma exibição em itinerância por vários cineclubes e cineteatros de todo o país, com uma única projecção, mas que contará com a presença de atores do elenco.

Por exemplo, em São João da Madeira, será exibido no sábado, com a participação dos atores Nuno Lopes e Victória Guerra, dois dos protagonistas do filme.

Em Coimbra, o filme passará no Teatro Académico Gil Vicente, nos dias 08 e 09, com Nuno Lopes e Albano Jerónimo e o produtor Paulo Branco.

O filme recria a terceira invasão francesa em Portugal, no começo do século XIX, quando o general Arthur Wellesley, duque de Wellington, liderou um exército anglo-português e utilizou uma linha de fortificações que protegia Lisboa - as Linhas de Torres Vedras.

Com argumento de Carlos Saboga, a longa-metragem é também um fresco social sobre aquela época, acompanhando, em vários momentos, histórias individuais de pessoas de diferentes estratos sociais, que se vão cruzando na narrativa, à medida que as tropas francesas tentam avançar no terreno.

No enredo estão o sargento Francisco Xavier (o actor Nuno Lopes), um camponês que se torna militar para vingar a chacina da família pelo exército napoleónico, o tenente Pedro d'Alencar (o ator Carloto Cotta), ferido em combate no Buçaco, a inglesa Clarissa Warren (a atriz Victória Guerra).

A produção contou ainda com os atores Albano Jerónimo, Soraia Chaves, Maria João Bastos, Afonso Pimentel, Joana de Verona e nomes internacionais como John Malkovich, Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Chiara Mastroianni e Michel Piccoli, além de cinco mil figurantes.

O filme foi rodado em vários locais de Portugal, em particular na região de Torres Vedras, onde será integrado no plano de estudos dos alunos do ensino secundário, em parceria com o Ministério da Educação.

A versão série de televisão do filme, composta por três episódios, foi exibida na íntegra, em Setembro, no Festival de Cinema de San Sebastian, Espanha, e terá estreia na RTP.

Para Paulo Branco, o filme é um pouco «um épico, quase o nosso 'Guerra e Paz'», e «vai chamar a atenção para um episódio histórico importantíssimo, desconhecido internacionalmente».

Além da exibição comercial em Portugal, As linhas de Wellington têm também estreia marcada em pelo menos 30 salas de cinema, em França, a 21 de Novembro.

Lusa/SOL

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cerca de 500 imóveis correm o risco de ficar por classificar


São más as notícias para o património e a sua salvaguarda. A alguma inércia por vezes existente da parte das entidades competentes no desencadear dos processos, junta-se a agora a alegada burocracia e ineficácia dos serviços responsáveis pela classificação.

Segundo avança o jornal Expresso na sua edição online, centenas de imóveis importantes correm o risco de ficar por classificar. Entre eles contam-se os redutos pertencentes às linhas defensivas de torres integrados nos concelhos de Vila Franca de Xira, Loures e Torres Vedras.

«Cerca de 500 imóveis candidatos a património classificado estão em risco de ver caducar os seus processos no final deste ano, por atrasos nos serviços e por opção dos responsáveis do setor.

Entre os imóveis com processos de classificação em perigo, encontram-se edifícios, equipamentos ou zonas emblemáticas das duas principais cidades do país. Na capital, por exemplo, estão a estação ferroviária do Cais do Sodré (da autoria do arquiteto Pardal Monteiro), as gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos (onde pontificam os painéis de Almada Negreiros), os antigos liceus Camões, Pedro Nunes ou Filipa de Lencastre ou o Hotel Ritz.

Já no Porto destacam-se as faculdades de Arquitetura e de Belas Artes; o núcleo da Foz Velha; a Rua Álvares Cabral; ou o projeto de Siza Vieira no bairro da Bouça (uma das primeiras intervenções a dar projeção internacional ao arquiteto portuense.

De Norte para Sul, há as termas romanas de Chaves, a aldeia histórica de Linhares (Celorico da Beira, distrito de Bragança), a estância termal das Caldas do Gerês, os vários núcleos arqueológicos de Foz Côa, a paisagem urbana da Nazaré, as fortificações das Linhas de Torres, o terreiro da batalha de Montes Claros (perto de Borba, distrito de Évora, decisiva na guerra da Restauração) ou o forte de Castro Marim» (fonte: http://expresso.sapo.pt/centenas-de-imoveis-vao-ficar-por-classificar=f756672#ixzz28EYz94Qy).

Veja aqui a lista de património por distrito.

Novas orientações estratégicas para a Reserva Ecológica Nacional


Leia aqui a Resolução do Conselho de Ministros n.º 81/2012. D.R. n.º 192, Série I de 2012-10-03, que aprova as orientações estratégicas de âmbito nacional e regional, que consubstanciam as diretrizes e critérios para a delimitação das áreas integradas na Reserva Ecológica Nacional a nível municipal.

domingo, 30 de setembro de 2012

Governo "reforma" disposições legais que regulam a Reserva Ecológica Nacional


Bom ou mau travão? Boa ou má burocracia? 

Certo é que o Governo prepara-se para mexer nas disposições que regulam a Reserva Ecológica Nacional. 

Esperemos que esta nova "reforma" não seja um facilitador para um ataque aquele que era um território que até agora estava um pouco mais a salvo da vampiresca sede da construção desenfreada que se viveu nos últimos 30 anos no nosso país.


Se seguir o caminho que se está a desenhar para a Reserva Agrícola Nacional, onde por exemplo se pretende facilitar o cultivo de eucalipto, não se espera o melhor.

Deixamos aqui um texto da Ecoesfera (Jornal Público):

Regime da Reserva Ecológica Nacional vai ser repartido por outras leis
25.09.2012
Ricardo Garcia


«Mudanças mais profundas são precedidas de alterações à lei actual, entre elas o fim da autorização prévia para uma série de projectos considerados compatíveis com a Reserva Ecológica Nacional.
O Governo quer integrar noutras leis o regime Reserva Ecológica Nacional (REN) - uma figura jurídica criada em 1983 para proteger determinadas áreas naturais e que desde então é regulamentada por um diploma autónomo. Até lá, o regime actual passará por algumas modificações, incluindo a eliminação de autorização prévia para uma série de projectos considerados compatíveis com a REN.

Segundo um comunicado ontem divulgado pela Secretaria de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território, as áreas tuteladas pela legislação da REN serão repartidas por instrumentos legais já existentes ou em elaboração. Tudo o que tenha a ver com as zonas de protecção do litoral e dos recursos hídricos - dunas, arribas, praias e rios - será integrado na Lei da Água e na sua legislação complementar. Já as áreas susceptíveis de acidentes naturais - como leitos de cheia ou zonas sob risco de erosão - ficarão tuteladas por um plano de prevenção e redução de riscos, que está a ser elaborado pelos ministérios do Ambiente e da Administração Interna.

A ideia do Governo é adaptar a REN a um novo contexto, em que a protecção dos recursos hídricos e a conservação da natureza estão abrangidos por outras leis que não existiam há três décadas. O comunicado põe mesmo em causa a própria designação da REN - já que áreas ecologicamente protegidas são tuteladas por outras leis -, referindo que o regime jurídico "assentou em alguns equívocos".

Embora enviado ontem, o comunicado tem data de 20 de Setembro, quando o Conselho de Ministros aprovou alterações à legislação actual da REN, para vigorarem enquanto o regime todo não for transformado. Na altura, não foram adiantados detalhes. Agora, a Secretaria de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território esclarece que serão introduzidas modificações processuais, para tornar mais rápidos os processos relacionados com a REN.

Uma dessas alterações é a eliminação da figura da autorização prévia para determinados projectos, considerados compatíveis com a REN. Numa nota enviada ao PÚBLICO, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado esclarece que estão em causa "pequenas operações", que sejam "de reduzido impacto".

Actualmente, a legislação exige autorização prévia a uma série de operações na REN, desde pequenas construções de apoio agrícola a barragens, estradas e parques eólicos. Revisões anteriores da REN já tinham eximido de autorização vários usos de menor impacte, que apenas careciam de comunicação prévia. O comunicado enviado ontem não esclarece até onde será agora alargada esta situação. Na nota enviada ao PÚBLICO, a Secretaria de Estado cita, como exemplo, "pequenas operações de âmbito agrícola, geológico, como sejam plantações de vinha, pequenas construções de apoio aos sectores da agricultura e florestas, entre outros".

A ideia do Governo é acelerar os processos administrativos no que toca a projectos de menor dimensão. Se tiverem sido já aprovados no âmbito da avaliação de impacte ambiental, por exemplo, isto será suficiente para desencadear um processo para alterar a REN naquele ponto. A comissão nacional da REN deixa de ser ouvida em todas as propostas de delimitação e passam a ser as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e não o Governo, a aprovar os limites da REN em cada município.

Com maior ou menor sucesso, a REN tem funcionado como um travão à ocupação urbana de zonas naturais sensíveis. Mas há vários anos tem vindo a ser criticada por ser demasiado rígida e burocrática - problemas que sucessivas revisões tentaram solucionar.
»

Fonte: http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1564419

«Mil freguesias vão desaparecer até final do ano»


Governo insiste naquilo a que chama reforma da administração local!

E as empresas municipais e as câmaras são o quê? 

E reforma da governação local fica para quando?


Deixamos aqui uma peça do Jornal de Notícias online do dia de hoje:
 
«Cerca de mil juntas de freguesia vão ser reduzidas "sem dúvida nenhuma" até ao final do ano, a tempo de os partidos prepararem as eleições autárquicas de outubro de 2013, assegurou o Secretário de Estado da Administração Local.

"O processo ficará fechado na Assembleia da República até ao final do ano e ainda assim fica a 10 meses das eleições autárquicas", salientou Paulo Júlio, em entrevista à agência Lusa. 

O governante rejeitou as críticas dos autarcas que dizem não haver tempo para concluir o processo de fusão de freguesias até ao final deste ano, quando se realizam eleições autárquicas em outubro de 2013.

"A perceção que eu tenho é que há aqui uma tentativa de ir ganhando causas. Já deixou de ser a causa do serviço público, porque toda a gente já percebeu que não há aqui nenhuma perda de serviço público e que o que estamos a fazer é a agregação de cargos políticos de freguesia. Agora é a causa do tempo e das eleições autárquicas em outubro", considerou.

Paulo Júlio realçou que "os processos de listas para as juntas de freguesia verdadeiramente começarão lá para o primeiro trimestre de 2013".
" Isso não quer dizer que não haja movimentações agora. Mas, quem quer movimentar-se, faça o que tem de fazer e já sabe quais são as variáveis para as suas escolhas políticas", acrescentou.

O responsável pela secretaria de Estado que está a realizar a reforma administrativa admitiu que "muitas dezenas de municípios" podem não se pronunciar sobre quais as freguesias que querem agregar nos respetivos territórios dentro do prazo que têm para o fazer e que termina a 15 de outubro.

"Essa é a discussão local, a lei estabelece prazos de pronúncia, estabelece regras mínimas, estabelece uma unidade técnica para a reorganização administrativa junto da Assembleia da República que, nos casos em que não houver pronúncia, coniforme a lei, fará a reorganização administrativa. Daqui resultará, sem nenhuma dúvida, a redução de cerca de mil juntas de freguesia em Portugal", assegurou.

Na entrevista à Lusa, Paulo Júlio defendeu ainda que Portugal "é altamente centralista", mas que a Regionalização não tem sentido neste momento, porque a descentralização deve ser feita para os governos locais.

O governante também não receia que o PSD seja prejudicado nas eleições autárquicas por causa das opções políticas do Governo, devido à crise económica, por considerar que "o povo sabe distinguir entre o que são as decisões do Governo e o poder local".»

Fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=2800928&page=-1



terça-feira, 25 de setembro de 2012

Participação d'Os Amigos do Forte na fase de discussão pública do polémico loteamento das salinas de Alverca e Forte da Casa


Como não tivemos oportunidade de o fazer anteriormente, transcrevemos de seguida o conteúdo da participação escrita individual da nossa associação (datada de 06 de agosto) na fase de discussão pública do processo de loteamento n.º 10/03LOTEPDM, no local da Verdelha e Drogas, na freguesia de Alverca do Ribatejo, conhecido como o loteamento das salinas de Alverca e Forte da Casa.

Achamos importante fazê-lo para tornar pública a posição da nossa associação e ao mesmo tempo congratular-nos com a não aprovação deste loteamento pela CMVFX (votos favoráveis do PS foram 5 e 6 contra da CDU e PSD), na passada reunião de 5 de setembro, graças àção dos movimentos cívicos e ambientais (XIRADANIA; SPEA; QUERCUS; GEOTA; FAPAS; ADAPA; e Os Amigos do Forte) que se envolveram nesta questão. Conseguimos com as participações individuais e conjunta fazer ver à maioria dos vereadores que para lá de um gravíssimo erro ambiental e de ordenamento do território este loteamento era ilegal (pois baseava-se em normas que não se encontram em vigor à data do seu surgimento e, por outro lado, por colidir com mais elementares regras de ordenamento do território).

Transcrição da participação:


«Tendo a Câmara de Vila Franca de Xira aprovado, em reunião de câmara de 27 de junho, a operação de loteamento n.º 10/03 LOTEPDM, no local da Verdelha e Drogas, na freguesia de Alverca do Ribatejo, e encontrando-se a decorrer o período de discussão pública, nos termos do art. 22.º do Decreto- Lei 555/99, de 16 de dezembro, na redação da Lei n.º 60/2007, de 4 de setembro, que aprovou o Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, vêm Os Amigos do Forte apresentar participação escrita nesse período de discussão.

Quanto ao enquadramento da área onde se insere o loteamento, cumpre lembrar que a zona em referência, também conhecida como Salinas de Alverca, é uma área sensível, trata-se do habitat de uma assinalável diversidade de espécies de aves (cerca de 200 entre residentes e migratórias), as quais encontram nesta zona da margem direita um dos últimos refúgios para a sua nidificação e vivência.

Como prova desta importância, regista-se o facto de a zona deter a classificação não governamental de International Bird Area (IBA), a nível municipal se encontrar classificada como estrutura ecológica urbana (local onde não é possível construir) e, ao nível da área metropolitana (PROTAML), é considerado um corredor ecológico estruturante.

A este propósito, citamos o biólogo Nuno Lecoq: «apesar de apresentarem alguma degradação, fruto das intervenções que têm sofrido nos últimos anos, nomeadamente na sua envolvente, as salinas de Alverca e Forte da Casa são o último reduto natural da margem direita do estuário. Efetivamente, existe um potencial gigantesco do ponto de vista da conservação da natureza e do turismo, caso esta zona seja devidamente gerida, o que trará benefícios para quem ali vive».*

Depois, importa relembrar que toda a margem direita do rio Tejo inserida no concelho de Vila de Xira tem sido fortemente pressionada com diversas operações urbanísticas, as quais lhe têm transfigurado a face, roubado a beleza, a riqueza e o futuro. São exemplos os casos reais (pelo menos no papel) da plataforma da logística da Castanheira, a nova Vila Franca, a UB-18 da Póvoa de Santa Iria, e aqueles que se entreveem para a área do Sobralinho, na área em análise e o próprio Forte da Casa tem também uma nova área para fins industriais a nascer junto ao rio ao abrigo do novo PDM.

A maior parte das operações que referimos são projetos estéreis, não avançaram e não se sabe em que condições vão avançar. Apenas se registam movimentações de terras e terraplanagens, que já não será possível apagar. São operações com base em estudos de viabilidade e investimento que se revelaram errados. São um conjunto de opções políticas erradas e que se inserem num modelo de gestão do território e de desenvolvimento que não serve o país e muito menos as pessoas que nele vivem.

A uma margem fortemente industrializada no século passado (que foi caindo em decadência e abandono), somaram-se estas pressões urbanísticas dos últimos anos e esta orientação política de tornar o município de Vila Franca numa estreita mas extensa plataforma logística e de negócios ligados aos serviços. Não foi só a área mais próxima do rio a ser afetada, outras foram alvo esta captura, como é o caso da faixa de terrenos compreendida entre os caminhos de ferro e EN10 no Forte da Casa, ocupada por diversos armazéns de logística e serviços, que vieram sobrecarregar a paisagem e as vias de comunicação, eliminaram as verdadeiras hortas urbanas e que agora se encontram em decadência e desocupados.

Se é verdade que as receitas provenientes destas operações foram um importante balão de oxigénio para a autarquia, não é menos verdade que são vários os espaços vazios e a mais, os investimentos falhados outrora tidos como defensores e promotores do interesse público.

Chega de lapsos, resta pouco território pouco ou nada intervencionado. A zona das salinas de Alverca e Forte da Casa são o último reservatório de esperança. A opção correta seria aproveitar as qualidades do espaço, as limitações impostas pelo ambiente (leito de cheia) e aéreas (impostas pela base aérea), aliadas ao facto de ali estar a surgir o passeio ribeirinho, para tornar aquela zona num verdadeiro pulmão de esperança, de respeito e promoção do meio ambiente.

Se o desenvolvimento económico é importante, não é menos a sustentabilidade ambiental no quadro de um ordenamento territorial que no presente e no futuro assegure qualidade de vida aos cidadãos.

Na área, o desenvolvimento económico local pode surgir através do aproveitamento do potencial turístico que a observação das aves, em articulação com o espaço EVOA. Potencial aliás identificado até pelo próprio Plano Estratégico Nacional do Turismo (menciona ser umas das áreas com potencial de crescimento para o PIB nacional), o qual que zona encerra em si mesmo um forte fator distintivo em relação as outras regiões turísticas.

Só quem nunca visitou a área, que se estende desde Alverca até à Póvoa de Santa Iria, é que pode friamente deliberar a favor da sua extinção.

Não nos iremos deter sobre questões técnicas, nomeadamente jurídicas, essas guardamo-las para os especialistas e técnicos apesar de, a este propósito, não podermos deixar de referir a lamentável inclinação de algumas peças (de ambas as partes) que compõem o processo. Vamos assim deixar um conjunto de observações e questões:

- É paradoxal que um protocolo entre entidades, se sobreponha às normas vigentes, quer ao Plano Diretor Municipal como ao próprio plano de ordem superior PROTAML, já para não falar da classificação não governamental que citados supra.

- É paradoxal que afinal a Estrutura Ecológica Urbana não tenha a importância que o PDM em vigor lhe veio dar. Se a CMVFX reconheceu, ao aprovar o atual PDM, que aquela era uma zona importante e a preservar porque não defendeu agora essa importância e interesse, não aprovando a proposta de loteamento e enfrentando todas as consequências decorrentes?

- Poderia ter decidido de outra forma ou deixado a resolução para os tribunais. Afinal o eventual custo financeiro a pagar ao promotor será sempre inferior a todos os outros.

- Como compatibiliza a CMVFX o loteamento com o futuro e vizinho Parque Natural do Forte da Casa? Com a aposta no ambiente e na observação de aves?

- Porque razão entende a Câmara que o compromisso assumido com os cidadãos e eleitores não é para cumprir, ao contrário do que faz com o compromisso assumido com os promotores imobiliários?

- Terá a CMVFX noção que o licenciamento de tal projeto destrói uma biodiversidade e um potencial turístico que urge preservar e promover?

- Qual a duração/validade destes protocolos? São eternos ou quebram-se com o tempo ou, por exemplo, com alterações à legislação e aos planos de ordenamento em que se suportam? Quebram-se com a mudança de vontades ou, por exemplo, com a queda dos executivos camarários e novas eleições? Sinceramente não conseguimos perceber que regras regulam estas expressões vontades e de intenções passadas que nos condicionam o presente e o futuro.

- Porque é que a CMVFX não consegue apresentar outros argumentos que sustentem a viabilização do licenciamento, a não ser o mero refugio na existência de um protocolo?

É neste contexto que a associação cívica “Os Amigos do Forte” manifesta a sua indignação e preocupação sobre mais esta ameaça ao território e às salinas, deixado registado o compromisso de desenvolver todos os esforços com vista a travar este projeto, estando para isso disponível a recorrer à Justiça.

A Direção



*Treicho da intervenção realizada na sessão pública «Requalificação da Frente Ribeirrinha de Vila Franca de Xira – enfoque na zona sul», organizada pela nossa associação, em 02 de outubro de 2012.»