terça-feira, 13 de março de 2012

Portal: "Conhecer a Crise"


«A Fundação Francisco Manuel dos Santos apresentou, esta terça-feira, um projeto para tentar fazer um retrato atual do país através de estatísticas e "lutar contra inimigos" que surgem em tempo de crise como os exageros e a indiferença.Estamos a atravessar um momento excecionalmente difícil da história do país", altura em que se exagera em posições negativas - está tudo mal - ou positivas - está tudo bem - ou ainda a indiferença, como se nada se passasse, disse o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) aos jornalistas na apresentação do projeto.
"Gostaria de combater o alarme, que vive do boato e do rumor", acentuou António Barreto, referindo-se a outro dos objetivos do portal "Conhecer a crise".
Para o sociólogo, o lema a seguir na atualidade é "mais razão, menos boatos e rumores", procurando "caminhos para resolver os problemas".
O alegado aumento de mortes devido à crise ou de pessoas que deixaram de poder ir ao médico por falta de dinheiro foram exemplos que deu e que já disse terem sido noticiados sem que exista sustentação para tais constatações.
Contudo, "é indispensável avaliar o que está a acontecer", defende, referindo-se às consequências da carestia económica que Portugal atravessa.
Embora a Fundação já tenha um projeto de tratamento de dados estatísticos a longo prazo - a PORDATA - com o "Conhecer a crise" a ideia é fazer um retrato mais próximo da realidade atual, tratando a informação disponibilizada pelas instituições que a recolhem, o que exclui a própria FFMS, como salvaguardou António Barreto.
A autora do projeto, a investigadora do Instituto de Ciências Sociais Alice Ramos, referiu alguns exemplos estatísticos recentes, entre os quais que mais de metade das pessoas (51%) limitam-se a viver o dia-a-dia e já não fazem planos para o futuro, no que considera ser uma estratégia de sobrevivência.
Questionado sobre quando poderá haver uma saída para a crise, António Barreto disse, com base na sua convicção pessoal, que "a estagnação deverá prolongar-se por mais seis a 12 meses".
"Os portugueses estão a reagir e a reorganizar-se", para conseguirem "sobreviver e não se deixarem a abater", acrescentou.
Acerca da ausência de convulsões sociais, realçou que tem havido grandes manifestações, mas as pessoas estarão com menos disponibilidade para a atividade política por se encontrarem demasiado ocupadas a resolver os seus problemas e os dos seus filhos".
Soma-se a esta realidade o fato de o acordo de assistência financeira com as entidades estrangeiras ter sido subscrito pelos três maiores partidos e por os sindicatos, mesmo os que não assinaram o acordo de concertação social, como foi o caso "do maior, a CGTP", terem "adotado um comportamento racional", opinou.»
In Jornal de Notícias online (13 de Março de 2012).

Sem comentários: